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Foragido dos atos de 8 de janeiro morre na Argentina, diz associação

José Éder Lisboa foi condenado pelo STF a 14 anos e seis meses de prisão

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DA REDAÇÃO COM ESTADÃO CONTEÚDO

29/03/2026 • 04:05 • Atualizado em 29/03/2026 • 04:05

José Éder Lisboa foi condenado a 14 anos pelo STF e morreu na Argentina
José Éder Lisboa foi condenado a 14 anos pelo STF e morreu na Argentina - Foto: Reprodução/Instagram/@asfavfamilias

O adestrador de animais José Éder Lisboa, 64 anos, condenado pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 , morreu nesta sexta-feira (27) na Argentina . A informação foi divulgada pela Associação dos Familiares e Vítimas do 8 de janeiro.

José Éder Lisboa foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 14 anos e seis meses de prisão por abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, deterioração do patrimônio tombado e associação criminosa armada.

“Fugindo da perseguição no Brasil estava refugiado na Argentina. Longe de sua família e da sua pátria, adoeceu e ficou por vários dias internado em um hospital no país vizinho, onde hoje veio a falecer”, escreveu a associação.

O adestrador de animais de São Carlos, cidade do interior de São Paulo, chegou a ser preso em flagrante no dia 8 de janeiro de 2023, dentro do Palácio do Planalto, em Brasília.

No interrogatório, Lisboa alegou que entrou no Palácio para se proteger de bombas e não participou de vandalismo.

Ele se tornou réu em maio de 2023 e, em agosto, foi solto sob a condição de seguir medidas cautelares. Após ser condenado, de acordo com publicação da associação nas redes sociais, ele deixou o Brasil e fugiu para a Argentina.

Condenação

O STF já condenou mais de 800 pessoas pelos atos de 8 de janeiro de 2023. As penas variam de 2 a 27 anos de prisão. A maioria dos condenados, 225, teve suas ações classificadas como graves.

Segundo um balanço do STF divulgado em janeiro, ao todo, 122 pessoas são consideradas foragidas. Segundo a Corte, em relação à metade delas já foram adotadas medidas para o pedido de extradição junto a autoridades estrangeiras.

Elas estavam sendo monitoradas por tornozeleira eletrônica e saíram do País após romperem o equipamento. Uma vez extraditadas, deverão passar a cumprir suas penas em regime fechado.

Extradição

O caso de José Éder Lisboa ocorre em meio a outras decisões envolvendo investigados pelos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília.

Na início do mês, a Comissão Nacional para Refugiados da Argentina, composta por integrantes dos ministérios argentinos das Relações Exteriores, da Justiça e do Interior, concedeu asilo a Joel Borges Correa, de 47 anos, condenado no Brasil a 13 anos e seis meses de prisão.

Em novembro de 2024, Correa foi preso na Argentina durante uma blitz na província de San Luis, enquanto seguia em direção à Cordilheira dos Andes. A extradição dele foi solicitada pela Justiça brasileira. Mas a Comissão Nacional para Refugiados da Argentina concedeu refúgio a Correa.

Outros quatro brasileiros, com casos em que extradição foi determinada junto com Joel Borges, aguardam a decisão da comissão em prisão domiciliar, na Argentina. Eles recorreram da decisão judicial à Suprema Corte do país.

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