Jornalismo

Túlio: Em semana de possíveis novas sanções a ministros do STF, Lula defenderá a Corte na ONU

No discurso na 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, Lula deve novamente classificar como genocídio os ataques de Israel à Palestina

TÚLIO AMÂNCIO

22/09/2025 • 11:02 • Atualizado em 22/09/2025 • 11:02

Lula durante discurso na Assembleia Geral da ONU 2024
Lula durante discurso na Assembleia Geral da ONU 2024 - Foto: Mike Segar/Reuters

O presidente Lula está em Nova York, onde participará da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas . Entre os principais compromissos estão o discurso de abertura, na terça-feira (23), além de reuniões com líderes internacionais e eventos paralelos dedicados a temas como meio ambiente, democracia e paz.

O texto do pronunciamento já está concluído, mas membros do governo não descartam ajustes de última hora, caso sejam necessários.

Entre as prioridades, segundo fontes, estão a defesa da independência dos três Poderes e da soberania brasileira. A expectativa é de que Lula apresente o momento vivido pelo país no cenário internacional como exemplo de respeito às instituições democráticas — inclusive em comparação ou contraste com práticas adotadas por outras nações.

A fala ocorre em um contexto de pressão do governo norte-americano sobre Alexandre de Moraes — já alvo da Lei Magnitsky — e outros ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Parte da Corte se sente ameaçada por declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que anunciou novas sanções para esta semana.

A expectativa é de críticas firmes, mas não necessariamente em tom de confronto direto. A ideia é enviar recados claros sem escalar desavenças, em linha com a tradição da diplomacia brasileira.

O Brasil também deve aproveitar o discurso para destacar a COP30, que será realizada em Belém. Lula apresentará a iniciativa de financiamento para a proteção das florestas tropicais — o Fundo Florestas Tropicais para Sempre.

Outras prioridades do discurso de Lula

Soberania nacional : uma das principais bandeiras será a defesa da autonomia brasileira, rejeitando qualquer interferência externa em assuntos internos.

Defesa da Palestina : Lula deve mencionar a ausência de representantes palestinos na reunião da ONU, barrados pelo governo Trump, e voltar a classificar como “genocídio” os ataques de Israel à Faixa de Gaza.

Multilateralismo : o presidente deve reforçar a importância de instituições internacionais fortes e da cooperação global, argumentando que tarifas elevadas e o protecionismo prejudicam não apenas as relações bilaterais históricas, mas também o equilíbrio entre países ricos e pobres.

A relação entre Brasil e Estados Unidos atravessa um momento de tensão diplomática. Segundo interlocutores, Lula deve citar medidas adotadas por Washington que considera prejudiciais aos interesses brasileiros — como as tarifas impostas a produtos nacionais — mas sem mencionar Trump nominalmente.

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