Jornalismo

Cometa 3I/ATLAS é uma sonda alienígena? Astrônomo desmistifica boatos

Sobre o sensacionalismo em torno do 3I/ATLAS, Carvano explica que parte disso é natural, já que se trata de um objeto incomum e interessante, que merece divulgação

Da redação

DA REDAÇÃO

30/10/2025 • 19:58 • Atualizado em 30/10/2025 • 19:58

Cometa 3IATLAS
Cometa 3IATLAS - Foto: Observatório Internacional Gemini/NOIRLab/NSF/AURA/Shadow the Scientist - Processamento de imagem: J. Miller e M. Rodriguez

A observação da NASA e outros órgãos sobre o cometa 3I/ATLAS deixou a comunidade astrônoma empolgada . Porém, o acompanhamento do cometa também gera muitas fake News sobre o tema.

Por ter se formado em outro sistema estelar e foi, de alguma forma, ejetado para o espaço interestelar, que é o espaço entre as estrelas, o 3I/ATLAS já foi relacionado até com uma sonda alienígena na internet.

O astrônomo do Observatório Nacional , Dr. Jorge Márcio Carvano , esclareceu o que realmente se sabe sobre esse raro visitante vindo de fora do Sistema Solar e compreender por que ele tem despertado tanto interesse.

Sonda Alienígena?

Sobre o sensacionalismo em torno do 3I/ATLAS, Carvano explica que parte disso é natural, já que se trata de um objeto incomum e interessante, que merece divulgação.

Desde a descoberta do 3I/ATLAS, um pequeno grupo de físicos e astrônomos publicaram artigos sugerindo que o objeto poderia ser uma sonda alienígena. Essas publicações são altamente especulativas, combinando dados frequentemente preliminares com hipóteses nem sempre justificáveis.

"“A imensa maioria dos astrônomos que tem estudado este objeto não vê nenhuma razão para esse tipo de associação”, esclarece."

Estrutura do 3I/ATLAS

Conforme explica Carvano, os cometas são formados por misturas de gelos, poeira e outros compostos, e percorrem órbitas muito alongadas, isto é, com grande variação na distância ao Sol ao longo da órbita.

Quando se aproximam da estrela, o aumento da radiação eleva sua temperatura, fazendo com que os gelos sublimem – passem do estado sólido diretamente ao gasoso – e liberem a poeira aprisionada.

A sublimação pode ocorrer na superfície ou em camadas internas, onde o gás acumulado escapa sob pressão por fendas, formando jatos de gás e poeira. Esse material se acumula ao redor do cometa em uma nuvem chamada “coma” e, ao ser empurrado pela radiação solar, dá origem às “caudas”.

“Essas comas e caudas podem se estender por dezenas de milhares de quilômetros, e como a poeira reflete a luz solar, o brilho dos cometas aumenta bastante conforme se aproximam do Sol”, explica o pesquisador.

Trajetória suspeita

Segundo Carvano, notícias sensacionalistas sobre o 3I/ATLAS mencionam “supostas anomalias”, “trajetória suspeita” ou que seria “massivo demais para ser um cometa” , entre outros pontos.

Sobre as “anomalias”, Carvano explica que o cometa se formou em outro sistema planetário, com composições e processos possivelmente diferentes dos do nosso Sistema Solar, e passou talvez bilhões de anos viajando pelo espaço interestelar.

“É esperado que ele seja diferente dos cometas do Sistema Solar em alguns aspectos. O que surpreenderia os astrônomos seria se fosse completamente normal”, afirma.

Alerta da NASA

O analista afirma que não é atribuição da NASA comentar constantemente a respeito de todas as atualizações sobre todos os eventos astronômicos que estão acontecendo em um dado momento.

“Uma coisa que a NASA não faz é deter o monopólio das observações astronômicas globaiso. Há outras agências espaciais pelo mundo que lançam sondas e operam observatórios espaciais, ainda que em escala menor e com capacidades diferentes”, disse.

Protocolo de defesa planetária

Com relação ao protocolo de proteção planetária ativado pela NASA, amplamente divulgado na Internet, Carvano explica que existe a International Asteroid Warning Network (IAWN) , uma colaboração internacional que visa aumentar a cooperação entre pesquisadores para descobrir e refinar a órbita de pequenos objetos do Sistema Solar, identificando rapidamente aqueles que possam representar risco de colisão com a Terra .

Esses dados ajudam a entender os processos de sublimação e a estimar melhor sua massa, mas não há nenhuma possibilidade desses pequenos desvios que podem ser observados venham a produzir qualquer risco de colisão com a Terra.

"A campanha terá como alvo o cometa 3I/ATLAS (C/2025 N1) para exercitar a capacidade da comunidade de observadores em extrair astrometria precisa", diz um comunicado do Minor Planet Center, um braço da IAU.

O que significa 3I/Atlas?

O nome 3I/ATLAS é uma designação que combina informações sobre a natureza e a descoberta do objeto. "3I" indica que é o terceiro objeto interestelar confirmado (após 1I/ʻOumuamua e 2I/Borisov), e "ATLAS" refere-se ao sistema de telescópios (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System) que o descobriu em 2025.

Sonda da Nasa pode cruzar com cometa 3i/Atlas até dia 6 de novembro

Uma confluência cósmica de trajetórias poderá resultar em um momento histórico para a exploração espacial. De acordo com um novo estudo aceito para publicação naResearch Notes of the American Astronomical Society(RNAAS), a sonda Europa Clipper da NASA tem uma grande chance de cruzar a cauda do cometa 3I/ATLAS entre o final de outubro e o início de novembro de 2025.

Existe perigo desse objeto interestelar atingir a Terra?

Não. Embora a trajetória do objeto o leve para o interior do Sistema Solar, ele não chegará perto da Terra. À medida que o cometa 3I/ATLAS viaja pelo Sistema Solar, ele não se aproximará mais do que 1,8 unidade astronômica (cerca de 270 milhões de quilômetros) do nosso planeta.

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