
Há quase 40 anos, o estado de Goiás viveu o maior acidente radiológico da história do Brasil - e o maior do mundo fora de uma usina nuclear: o caso Césio-137 . O episódio deixou quatro mortos diretamente, gerou toneladas de lixo radioativo e afetou milhares de pessoas que viviam ou circulavam pelas áreas contaminadas.
O tema voltou à tona após o lançamento da série "Emergência Radiotiva", reacendendo o interesse dos brasileiros pelo ocorrido. Um levantamento da Sala Digital mostra um salto no interesse de busca pelo caso nos últimos dias na internet. É a maior curva desde 2004, quando os dados do Google Treds começaram a ser computados. O movimento atual supera, inclusive, o pico registrado em 2007, quando o Projeto de Lei 27/04 ampliou o número de pessoas indenizadas pelo Estado por terem sido expostas à radiação.
Nas pesquisas recentes aparecem perguntas como “quantas pessoas morreram com o césio-137?”, “quem são as vítimas?” e “como estão hoje?”.
Relembre o caso
O ano era 1987, quando dois catadores encontraram, em uma clínica abandonada, um aparelho de radioterapia. Ao desmontá-lo e vender partes a um ferro-velho, acabaram liberando uma cápsula com cloreto de césio-137, um material altamente radioativo, que se apresentava como um pó azul brilhante, aparentemente inofensivo.
Sem saber do perigo, o dono do ferro-velho levou o material para casa e o compartilhou com amigos e familiares. O gesto desencadeou uma contaminação em cadeia.
Nos dias seguintes, surgiram os primeiros sintomas: náuseas, vômitos, tonturas e queimaduras na pele. O acidente só foi oficialmente identificado cerca de duas semanas depois, quando o material chegou às autoridades de saúde.
Ao todo, mais de 112 mil pessoas foram monitoradas, e 249 apresentaram contaminação significativa. Destas, dezenas precisaram de acompanhamento médico intensivo.
As vítimas do Césio-137
As quatro mortes registradas nas semanas seguintes foram causadas pela Síndrome Aguda da Radiação (SAR), provocada por altas doses de exposição. Entre as vítimas estavam:
Ao longo das décadas, o impacto continuou sendo monitorado. Dados atualizados indicam que 182 pessoas morreram entre os grupos acompanhados até 2023, embora apenas os quatro casos iniciais tenham sido diretamente atribuídos à radiação.
Hoje, mais de mil pessoas ainda são acompanhadas pelo Centro de Assistência aos Radioacidentados (Cara), incluindo sobreviventes e descendentes. Muitos convivem com sequelas físicas, traumas psicológicos e o estigma social deixado pelo acidente.
Um marco que ainda deixa lições
O acidente também deixou marcas no território: 6 mil toneladas de resíduos contaminados — entre roupas, móveis e objetos — foram armazenadas em contêineres de concreto em Abadia de Goiás, onde permanecem sob monitoramento constante até hoje.
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