
A empresária e filantropa Alcione Albanesi, fundadora da ONG Amigos do Bem, detalhou durante participação no programa Canal Livre que vai ao ar neste domingo a engrenagem operacional e financeira que sustenta os projetos sociais da instituição no sertão nordestino.
Ao analisar o método de atuação da organização, Alcione explicou que a autonomia das comunidades atendidas depende da criação prévia de oportunidades econômicas aliada ao investimento social constante. A dirigente explicou como divide a receita da entidade entre iniciativas produtivas próprias e a captação de recursos privados.
“Nós nunca recebemos nenhuma verba do governo. Então, o nosso trabalho é da geração de renda, que é mais ou menos 40% hoje da venda de castanhas e da área produtiva. Nós criamos um modelo de desenvolvimento social sustentável. Uma fábrica trabalhando mantém 2 mil crianças na escola. A gente tem esse modelo porque nós falamos de autossustentabilidade”, disse.
Questionada sobre a antiga discussão sobre “dar o peixe” ou “ensinar a pescar”, a fundadora da Amigos do Bem lembra das adversidades da população de mais baixa renda. “Em rio seco se pesca? Ensinar a pescar? Ótimo. Rio seco se pesca? Nós estamos dando oportunidade, nós estamos colocando água nesse rio. Estamos dando a mão para depois andar sozinho”.
Cultura da doação no Brasil não é desenvolvida
Alcione contou que a ONG vive hoje de 40% de renda da área produtiva e 60% de doações através de parceiros. Ela apontou que o projeto enfrenta a oscilação das contribuições corporativas e individuais como o maior obstáculo para o planejamento a longo prazo no terceiro setor, cenário agravado por retração econômica ou trocas de gestão nas companhias parceiras.
“Qual é o problema da doação? Cada vez que muda um CEO numa empresa que a gente está numa parceria forte, você fala: ‘Meu Deus, o próximo CEO vai continuar? Ele vai cortar? O que vai cortar?’ Você não consegue fazer um planejamento financeiro. Tem que ter muita coragem. Quando você tem um problema financeiro, a doação é a primeira que você tira do teu orçamento. E a gente até entende. Mas 30% a menos, 20% a menos? A gente vive sempre nessa luta. E não é fácil conseguir doação. São mais de 800 mil ONGs no Brasil. E assim, vão formando, é uma dificuldade porque a cultura da doação no Brasil não é desenvolvida", disse.
O Canal Livre deste domingo tem como entrevistadores os jornalistas Fernando Mitre, Olívia Freitas e Andressa Guaraná. A apresentação é de Rodolfo Schneider. O programa vai ao ar domingo (16), às 20h na BandNews TV e, mais tarde, depois do ‘Som dos Oceanos’, na tela da Band.
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