Um relatório de inteligência da Polícia Civil revela os apelidos utilizados por Marcos Herbas Camacho, conhecido como Marcola e apontado como líder máximo do PCC, e pelo irmão dele, Alejandro Camacho, o Marcolinha, no intuito de despistar investigações criminais. De acordo com os documentos da operação Vérnix, o monitoramento de conversas telefônicas e de mensagens de texto via aplicativo ajuda a desarticular uma rede de movimentação financeira que utiliza a transportadora Lado a Lado como centro de um esquema para a lavagem de dinheiro da facção.
As investigações apontam que a ligação entre as lideranças da organização e as movimentações financeiras sob análise envolve o operador Everton de Souza, o Player, e o administrador da transportadora, Ciro César Lemos.
De acordo com o relatório da Polícia Civil, as comunicações da facção adotam códigos restritos para ocultar os reais remetentes e destinatários dos recursos financeiros. A utilização de vulgos serve como barreira para tentar evitar o monitoramento direto das autoridades de segurança do Estado.
Escutas flagram conversas com uso de vulgos
O relatório de inteligência aponta que, no ambiente das facções, as comunicações mantêm o máximo possível de termos codificados. Foi por meio do monitoramento dessas conversas que os investigadores conseguiram identificar a identidade das lideranças. Em um áudio transcrito na página 59 do relatório da operação Vérnix, o administrador Ciro César Lemos afirma para um contato cadastrado como Caminhão que está acompanhado pelo gordo e pelo narigudo.
Em outro trecho da interceptação, na página 61 da apuração, o operador Everton de Souza orienta o administrador Ciro César Lemos sobre a divisão do dinheiro. Na mensagem, Player solicita o envio da parte destinada ao gordo e afirma que vai conversar com um segundo homem para indicar a conta bancária onde deve ser depositada a parte correspondente ao narigudo.
O documento da polícia detalha, nas páginas 61 e 62, que narigudo é um dos vulgos utilizados por Marcos Herbas Camacho, o Marcola. O líder da facção também é mencionado nas escutas pelos codinomes de ladrão de oxigênio, playboy, magrelo, quarenta e bonitão. Gordo ou gordão é a identificação de Alejandro Camacho, o Marcolinha. Em uma audiência judicial referente a outro processo, Marcos Herbas Camacho nega o uso de qualquer um dos apelidos listados.
Investigação mapeia repasses em espécie
O administrador Ciro César Lemos é apontado pelas investigações como o responsável por efetuar depósitos em dinheiro vivo nas contas bancárias de Deolane Bezerra . Os extratos obtidos pela Polícia Civil apontam três transações em agosto de 2020, totalizando R$ 10 mil. Em outubro do mesmo ano, outras três movimentações chegam ao valor de R$ 14,5 mil. Os repasses são executados a mando de Everton de Souza, o Player.
O relatório da apuração mostra que esses depósitos fracionados, com valores individuais sempre inferiores a R$ 10 mil, são realizados na boca do caixa com intervalos de poucos minutos entre um e outro. O método serve para tentar passar despercebido pelos órgãos de controle financeiro. A investigação estima que essas movimentações integram um total de mais de R$ 1,6 milhão em dinheiro em espécie sem origem identificada nas contas da advogada.
A Polícia Civil indica que a conta bancária pessoal de Deolane Bezerra concentra a menor fatia das movimentações rastreadas. A suspeita das autoridades é de que a influenciadora tenha aberto 35 empresas de fachada. As investigações apontam que os valores movimentados nas contas abertas em nome dessas pessoas jurídicas são consideravelmente maiores.
Em depoimento na audiência de custódia, Deolane Bezerra afirma que a prisão se deve unicamente aos depósitos que somam mais de R$ 24,5 mil e justifica que o montante é decorrente de serviços prestados como advogada. A Polícia Civil prossegue com os trabalhos de checagem.
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