Brasil Urgente

Imagens revelam que Coronel desobedeceu policiais após morte de esposa

Câmeras corporais mostram Geraldo Neto ignorando ordens de subordinados e tomando banho em apartamento isolado, o que pode ter comprometido a coleta de provas periciais

MARCELO MOREIRA

20/03/2026 • 21:46 • Atualizado em 20/03/2026 • 21:46

Novas imagens das câmeras corporais dos policiais militares que atenderam a ocorrência da morte da soldada Gisele Santana, esposa do Tenente-Coronel Geraldo Neto , trazem à tona um debate sobre o uso da hierarquia militar para interferir em investigações criminais. O caso, ocorrido em fevereiro, foi inicialmente tratado como suicídio, mas a conduta do oficial no local do crime está sob intenso escrutínio.

As gravações revelam que o Tenente-Coronel Geraldo Neto teria utilizado sua patente superior para ignorar orientações de oficiais de menor patente que tentavam isolar a área e preservar possíveis evidências.

O Banho e a Contaminação da Cena

O ponto mais crítico registrado pelas câmeras ocorreu quando o Tenente-Coronel decidiu tomar banho no apartamento logo após o incidente. No vídeo, é possível ouvir a preocupação de um cabo da PM:"Se tomar banho, vai perder tudo os bagulho na mão", referindo-se aos vestígios de pólvora que seriam essenciais para o exame residuográfico.

Outro oficial no local questionou a passividade diante da situação:"Vai deixar ele tomar banho e tudo? Se fosse um paisano [civil], a gente já arrasta para perto". A fala evidencia o desconforto dos subordinados, que se sentiram impedidos de agir de forma incisiva devido à "rígida hierarquia" da Polícia Militar.

Cronologia dos Fatos

As imagens mostram a chegada dos primeiros policiais ao 27º andar por volta das 08h19. Naquele momento, Gisele ainda estava viva e recebia atendimento médico. Geraldo Neto é visto circulando pelo corredor, sem camisa e falando ao celular constantemente.

Às 09h07, um tenente pede para que Neto se vista para ser encaminhado à delegacia e passar por avaliação médica. No entanto, o oficial superior ignora o pedido e segue para o interior do apartamento para tomar banho, acompanhado por um desembargador que ele mesmo havia chamado ao local.

Questionamentos Técnicos

Em diálogos captados pelas câmeras, oficiais presentes discutem a estranheza da situação."Quando você sai e vê alguém com um disparo, você não abaixa e pega o armamento? Você não vê se tem pulsação?", questiona um dos policiais, sugerindo que a reação do Tenente-Coronel não foi a esperada para alguém que acaba de presenciar uma tentativa de suicídio de um ente querido.

Um capitão que chegou ao local às 08h52 também demonstrou insegurança em confrontar o superior, pedindo que alguém de patente ainda mais alta fosse acionado para conduzir a ocorrência.

Impacto na Investigação

A decisão de Geraldo Neto de tomar banho antes da realização de exames periciais é vista por especialistas como uma grave falha na preservação da cena do crime. O exame residuográfico, que identifica partículas de chumbo e bário nas mãos de quem efetuou um disparo, pode ter sido invalidado pela higiene pessoal do oficial.

O Tenente-Coronel Geraldo Neto nega ter usado sua posição para obstruir o trabalho policial, mas as imagens das câmeras corporais, consideradas peças fundamentais no inquérito, mostram uma dinâmica de poder que desafiou os procedimentos padrão de isolamento de local de crime.

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