Bora Brasil

Cobras, corujas e iguanas: conheça o mercado de pets exóticos no Brasil

Animais silvestres ganham espaço em lares, mas precisam ter acompanhamento especial

Da redação

DA REDAÇÃO

20/08/2025 • 14:32 • Atualizado em 20/08/2025 • 14:32

A gente está acostumado a ver quem tem cães, gatos, peixes e aves em casa como animal de estimação. Mas há também quem seja apaixonado por bichos nada convencionais.

A bióloga Laís Caccia, por exemplo, tem animais de todos os tipos em casa – é tutora de quatro animais exóticos. Entre os pets, um iguana que se diverte percorrendo o corpo da tutora.

“É um animal arborícola. Por isso que ela é verde. Ela fica nas folhas. Então, onde ela se sente melhor? No alto. É um animal que, se eu estou aqui, ela vai escalar até a minha cabeça vai ficar aqui”, disse.

O réptil não é único. Cada animal com seus hábitos, necessidades e alimentação – como a coruja que também mora com Laís.

“É um animal carnívoro, então ela come ratos. A gente compra rato congelado para ela, armazena no freezer um monte de ratinhos e dá uma vez por dia um rato para ela”, conta Laís, que também se diverte com uma cobra.

“O nosso veterinário vem aqui uma vez por mês e olha todos os animais. Tendo assim uma rotina, acho que o principal é uma alimentação, ter acesso ao sol. Com todo esse bem-estar, é bem difícil os animais ficarem doentes”, acrescentou.

Cuidados especiais

A reportagem foi a uma clínica veterinária de São Paulo, especializada em animais exóticos, para acompanhar o checkup do Bolota, um dragão-barbudo originário do deserto da Austrália.

“Ele está fazendo exame cardiológico para avaliar a função do coração dele. A gente está fazendo outros exames nele também, radiografia, vai coletar sangue para ver função renal, função hepática, parte celular”, listou o veterinário Renato Ordones.

O dia foi movimentado na clínica. Uma serpente asiática foi fazer uma exame de raio-x. “De forma geral, ela está bem”, diz o médico.

Nas últimas semanas, imagens nas redes sociais viralizaram mostrando a ressonância magnética de um peixe – que, segundo os vídeos, estava “anestesiado de forma geral” para não se mexer. O ultrassom de um tubarão também fez sucesso nas plataformas.

Os dois casos são exemplos do crescimento do setor, o que faz com que profissionais tenham passado a se aperfeiçoar neste tipo de pet.

“É preciso formar profissionais que possam atender esses animais”, diz Roberto Fecchio, dono da clínica veterinária especializada. “É preciso que a indústria e a parte farmacêutica do mercado cresçam juntos, trazendo medicamentos.”

A veterinária Julya Polese, que trabalha no local, vai além e destaca a formação de especialistas.

“De cara, é muito difícil a gente ter acesso a estes animais. Antes, era muito mais difícil. Mas na própria pós-graduação de cardiologia, a gente tem uma aula só de animais exóticos – para aves, para lagartos, para cobras, para tudo”, completou.

Crianças e animais

Convidada da edição desta quarta-feira (20) do Bora Brasil , Laís Caccia lembra ainda que animais exóticos podem aproximas crianças da natureza, ajudando em tratamentos diversos.

“Acho que o maior benefício do contato com os animais é que os animais são calmantes. Hoje em dia, a gente tem muitas crianças sofrendo de ansiedade, de stress, e os animais têm esse poder calmante”, explicou a bióloga.

“Tocar em um animal libera no nosso cérebro dopamina, ocitocina, que são neurotransmissores do prazer – então traz na gente essa sensação de bem-estar. E o principal de animais que não são tão comuns como o cão e o gato é que você desenvolve atenção plena”, completou

Entre outros cuidados, ter um animal exótico em casa depende de uma questão especial: a legislação para a aquisição, de forma a evitar o tráfico de espécies.

“Todos os animais exóticos, que a gente chama de animais silvestres, precisam ser adquiridos com nota fiscal. Você precisa comprar de um criadouro legalizado pelo Ibama, que tem a permissão para criar esses animais em cativeiro e poder vendê-los. Qualquer animal que a gente acha na internet, que a gente vê uma forma fácil e barata, infelizmente vem do tráfico de animal silvestre. A gente sempre tem que ter atenção”, destaca a bióloga.

Newsletter Notícias

Inscreva-se na nossa newsletter e receba as noticias mais importantes do dia direto no seu e-mail.

Selecione os seus temas favoritos: