Em julho de 2023, o Brasil oficializou a lei 14.617, que celebra o Agosto Verde como o mês da primeira infância. A programação tem como objetivo conscientizar toda a população a respeito da importância do desenvolvimento, da assistência e da educação de crianças de até 6 anos.
De acordo com uma pesquisa realizada pelo Datafolha e pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, 84% das pessoas desconhecem que esta é a fase mais importante do desenvolvimento do ser humano. Para grande parte do público ouvido, o momento mais importante vem a partir dos 18 anos, quando a educação básica já foi concluída.
“A gente fala muito de primeira infância, tem interlocução com diversos atores que também vibram na mesma toada, de que a criança é a prioridade absoluta conforme diz a Constituição Federal desde 1988, mas a realidade se mostrou um pouco mais dura do que isso”, afirmou Mariana Luz, CEO da fundação, em participação na edição desta quarta-feira (20) do Bora Brasil.
“O que importa é a gente ter educação infantil de qualidade. Quando a gente vê uma criança apanhando numa creche, isso é um absurdo. A gente precisa ter a creche, que é essa primeira etapa da educação infantil, e depois a pré-escola, com o maior nível de qualidade possível ofertada. Porque é justamente esse pico de desenvolvimento. Até os 6 anos, ele acontece na máxima potencial, 1 milhão de conexões por segundo, até 90% do cérebro se constitui. A gente tem que olhar para essa fase como a fase onde a gente aprende a ser quem a gente vai ser a vida toda”, completou Mariana.
É nesta fase, segundo ela, que o cidadão se constitui, com educação, saúde, proteção e justiça, mas também na construção de conexões. As mais prejudicadas são as crianças mais pobres: 55% das 18 milhões de crianças do Brasil vivem em famílias de baixa renda, sendo que 74% são criadas por mães solo – a maioria negra.
“(A primeira infância) é a nossa maior oportunidade de romper com desigualdades. Quando a gente olha para as notícias, para tanta coisa dura que acontece no nosso país, como a gente consegue ir para a esperança e sonhar juntos, sonhar melhor? É cuidando das crianças pequenas que a gente faz isso”, afirmou.
Desta forma, reconhecer o Brasil como um país violento e racista é um primeiro passo para combater a desigualdade.
“A proteção, para mim, é um pilar estrutural – além da educação, da saúde, das relações em casa. A violência na primeira infância acontece dentro de casa em 84% dos casos”, acrescentou Mariana Luz. “O caminho é sempre assim: trazer alternativas de mudar, de quebrar esses padrões. Quem comete violência, geralmente recebeu violência.”
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