Jornalismo

Há 5 anos foragido, André do Rap segue na lista de criminosos mais procurados do Brasil

O caso de André do Rap permanece como um símbolo das falhas e complexidades do sistema judicial brasileiro

Da redação

DA REDAÇÃO

10/10/2025 • 21:30 • Atualizado em 10/10/2025 • 21:30

André do Rap
André do Rap - Foto: Arquivo/Band

Ele é um dos criminosos mais procurados do Brasil e da América do Sul. André Oliveira Macedo, mais conhecido como André do Rap , de 46 anos, completa nesta sexta-feira (10) cinco anos foragido, em um caso que personifica um dos episódios mais controversos e embaraçosos do sistema de justiça criminal brasileiro.

Desde que desapareceu em 10 de outubro de 2020 , horas após sair pela porta da frente de uma penitenciária de segurança máxima, seu paradeiro segue sendo um mistério para as autoridades.

Seu nome permanece em destaque na Lista de Mais Procurados do Ministério da Justiça e Segurança Pública e na Difusão Vermelha da Interpol, um alerta global para polícias de 194 países.

A trajetória de André do Rap

Segundo investigações da Polícia Federal e do Ministério Público de São Paulo, André do Rap não é um criminoso comum. Ele ascendeu na hierarquia da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) até se tornar uma peça-chave no megaesquema de envio de toneladas de cocaína para a Europa, utilizando o Porto de Santos como principal entreposto.

Sua função era gerenciar a logística bilionária do narcotráfico, negociando diretamente com cartéis internacionais, como a máfia italiana 'Ndrangheta. Vivendo uma vida de luxo, com mansões em Angra dos Reis (RJ), iates e aeronaves, ele foi preso em setembro de 2019 em uma operação de grande porte.

A Polêmica soltura pelo STF

A reviravolta no caso ocorreu em um sábado, 10 de outubro de 2020. Em uma decisão liminar (provisória), o então ministro do STF, Marco Aurélio Mello , concedeu umhabeas corpusa André do Rap.

A justificativa legal baseou-se em um parágrafo do Pacote Anticrime (Lei 13.964/2019), que determina que a necessidade da prisão preventiva deve ser reavaliada a cada 90 dias pelo juiz responsável pelo caso. A defesa do traficante argumentou que esse prazo havia sido extrapolado sem uma nova decisão fundamentada, o que tornaria a prisão ilegal.

A decisão de Marco Aurélio Mello causou um problema institucional. Horas depois, o presidente do STF na época, ministro Luiz Fux, cassou a liminar e ordenou que André do Rap fosse preso novamente.

Mas era tarde demais. Ao ser notificado da soltura, o líder do PCC deixou a Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. De acordo com as investigações, ele entrou em um carro de luxo e desapareceu.

Onde André do Rap pode estar?

Desde sua fuga, uma força-tarefa composta pela Polícia Federal e polícias de diversos estados busca por pistas que levem à sua captura. As principais linhas de investigação, com base em relatórios de inteligência, apontam para dois possíveis paradeiros:

Não se descarta a possibilidade de ele ter utilizado documentos falsos para fugir para a Europa, onde mantinha conexões com o crime organizado internacional. Autoridades federais acreditam que, mesmo foragido, ele continua comandando operações de tráfico à distância.

O caso de André do Rap permanece como um símbolo das falhas e complexidades do sistema judicial brasileiro.

Para as forças de segurança, sua captura é tratada como uma questão de honra e um golpe necessário contra o poder do crime organizado no país.

Enquanto isso, um dos maiores traficantes do Brasil segue em liberdade, desafiando o Estado.

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