A “Era Abel Ferreira” no Palmeiras, sinônimo de glórias e uma hegemonia incontestável no futebol brasileiro e sul-americano, parece estar vivendo seus dias mais turbulentos. O que antes era um mar de conquistas, com títulos empilhados desde sua chegada em 2020 – duas Libertadores, dois Brasileiros, uma Copa do Brasil, além de Paulistas e Recopas – transformou-se em um caldeirão de pressão, frustração e incertezas.
A Sala Digital, parceria da Band com o Google, captou em tempo real o termômetro dessa paixão alviverde em ebulição, revelando um cenário inédito de insatisfação. No programa “Os Donos da Bola”, Craque Neto criticou a postura alviverde e foi direto ao dizer que “a torcida está sendo ingrata com o Abel por tudo o que ele já fez e por tudo o que ele ainda pode fazer” pelo Palmeiras.
Abel, o português que conquistou o coração de milhões e se tornou o técnico mais vitorioso da história do Palmeiras, agora enfrenta uma pressão como nunca. As críticas ao seu estilo defensivo, sua postura nas entrevistas e os constantes desabafos com a arbitragem e a imprensa se intensificaram. Não é à toa que o interesse de busca no Google por “Entrevista/Coletiva do Abel Ferreira” atingiu um pico histórico na semana passada. Isso não é apenas curiosidade; é o reflexo de uma torcida ávida por respostas, cada vez mais atenta às palavras de um treinador que se mostra "irritado em praticamente quase todas as entrevistas".
A Queda da Invencibilidade e o Canto da Insatisfação
O que acendeu essa fogueira, como o próprio Abel já descreveu o ambiente do clube? A falta de títulos recentes é um gatilho poderoso. Desde o início de 2024, o Verdão levantou apenas o Campeonato Paulista de 2024. O que se segue é uma sequência de eliminações dolorosas, muitas delas dentro de casa, no Allianz Parque, o que era para ser o "quintal" dos campeões.
A eliminação precoce para o Corinthians na Copa do Brasil de 2025 – um vexame histórico em casa – foi a gota d'água. Some-se a isso a perda do Paulistão 2025, também para o rival, e outras quedas importantes, como para o Boca Juniors na Libertadores, Botafogo no Brasileiro e Flamengo na Copa do Brasil. O Palmeiras acumula uma alarmante marca de oito eliminações seguidas em casa sob o comando de Abel Ferreira. Uma estatística que, como um sino de alarme, ecoa a instabilidade. O clube registrou oito derrotas em 47 partidas em 2025, uma média que preocupa e já supera mais da metade dos tropeços de 2024, quando somou 12 em 67 jogos.
Nesse cenário, a insatisfação da torcida explodiu. Gritos como "Ei, Abel, vai tomar no..." e faixas com frases irônicas como "Cabeça vazia, fralda cheia, time cagão" foram vistas e ouvidas no Allianz Parque. A cobrança não poupa nem a presidente Leila Pereira nem o diretor Anderson Barros, ambos criticados por uma gestão que, apesar do investimento de mais de R$ 500 milhões em reforços em 2025, não se traduziu em desempenho em campo.
A Busca por Respostas: "Abel Vai Sair?"
Pode-se dizer que essa onda de descontentamento também reverbera diretamente nas buscas na ferramenta de pesquisa do Google. O dado da Sala Digital sobre "interesse por Demissão/Saída" do Abel Ferreira mostra um aumento expressivo no índice em 2025, um salto significativo em comparação com 2020 e 2021. A pergunta que antes era um sussurro nos bastidores, "Abel vai sair?", agora ecoa nas ruas, nas redes sociais e nas mesas de bar. O próprio treinador já "falou em sair várias vezes" e, após a eliminação para o Corinthians, adiou a renovação de seu contrato, que termina em dezembro.
O discurso do português de que é "difícil explicar para [suas filhas] porque o pai foi xingado" humaniza a pressão, mas não ameniza a cobrança de uma parte da torcida que o acusa de soberba e de não conseguir mais fazer o time performar. A percepção de que o time "não tem um padrão de jogo", com escalações surpresa e um estilo "pífio, juvenil, ineficaz", somada à saída de jogadores importantes como Dudu e a lesão de peças-chave como Dudu e Fuchs, desenha um quadro de esgotamento.
O Crossroads Alviverde: Reinvenção ou Despedida?
Apesar do turbilhão, a presidente Leila Pereira e o diretor Anderson Barros reafirmam o desejo de renovar com Abel até o final de 2027, enxergando este momento como uma "fase do processo de reformulação". Abel, por sua vez, afirma que "jamais serei um problema" e que está ali para ser "a solução". No entanto, a possibilidade de ele querer uma cláusula que o permita sair de graça caso a temporada termine sem títulos é um indicativo do desgaste nos bastidores.
Para o torcedor palmeirense, que já "sabe" o que está acontecendo, essa é uma encruzilhada. O clube que, como um colosso, empilhou taças e recordes, agora se vê navegando em águas turbulentas. A paixão que impulsionou o time a conquistas épicas é a mesma que, diante da adversidade, transforma a Arena em um palco de protestos e vaias.
O Palmeiras precisa de reforços – um zagueiro, um centroavante e um ponta são apontados como necessidades urgentes. Mas, mais do que isso, como bem sugere a voz da arquibancada, "precisa se reinventar urgentemente". Seja com Abel à frente ou com um novo ciclo, o caminho exige clareza, união e, acima de tudo, o retorno do "espirito competitivo" que fez o Palmeiras ser o que é.
Newsletter Notícias
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as noticias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione os seus temas favoritos:
