Os Donos da Bola

Corinthians sem Tite e desespero faz torcedor buscar “técnicos livres no mercado”

Interesse por treinadores livres atinge maior patamar em quase um ano; preferência por europeus escancara tendência dos torcedores

Bárbara Fava

BÁRBARA FAVA

22/04/2025 • 14:11 • Atualizado em 22/04/2025 • 14:11

Tite
Tite - Foto: Diego Vara / Reuters

O Corinthians esperava Tite para o treino. Literalmente. A diretoria acreditava que o retorno do técnico multicampeão era questão de tempo e parte da torcida já comemorava. Mas o “sim” nunca veio. O que chegou foi obolo.

Tite recusou a proposta, pegou o clube de surpresa e decidiu dar uma pausa na carreira por questões de saúde mental, conforme revelado nesta terça-feira (22). A frustração do Corinthians escancarou um cenário que já vinha se formando: a busca desenfreada por soluções no mercado de técnicos. E não só no clube do Parque São Jorge.

Google revela: torcedor está de olho em quem está livre

Um levantamento da Sala Digital, parceria da Band com o Google, mostra que entre os dias 13 e 19 de abril, o interesse por "técnicos livres no mercado" atingiu o maior patamar em quase um ano no Brasil – desde junho de 2024. Foi um aumento de 30% em relação ao pico anterior de 2025, registrado no fim de março.

Não é coincidência. Esse crescimento nas buscas acompanha um momento de instabilidade generalizada no futebol brasileiro, com clubes grandes sem treinador , pressão por resultados e um calendário cada vez mais apertado. A crise na seleção brasileira, inclusive, também pode estar por trás de parte desse movimento no Google.

Abril e junho: os meses da dança das cadeiras

Os dados da Sala Digital mostram que abril e junho são, historicamente, os meses com mais buscas por treinadores. Não à toa: é o fim dos estaduais, começo do Brasileirão e o momento em que muitos clubes são eliminados precocemente de torneios como a Libertadores, a Copa do Brasil e a Sul-Americana.

Em 2025, o cenário é ainda mais intenso. Com o Super Mundial de Clubes no horizonte e a pressão dos estaduais recém-encerrados, as demissões se acumulam e os nomes disponíveis passam a ser monitorados com lupa por torcidas e dirigentes.

Europeus na frente: preferência ou complexo?

Mas o dado mais curioso – e talvez mais revelador – está no tipo de técnico que o torcedor procura. As buscas por “técnicos europeus livres no mercado” superam, com folga, os termos relacionados a treinadores brasileiros ou estrangeiros . Mesmo o primeiro lugar do ranking também ocupando o terceiro, o destaque para o “europeu” aponta uma possível tendência (ou preferência) que vai além da nacionalidade.

A ideia de que um técnico europeu seria mais qualificado, mais tático ou mais preparado pode estar influenciando a percepção do torcedor. E isso casa com o movimento recente no futebol brasileiro, que tem aberto cada vez mais espaço para nomes de fora.

Quem vai para onde?

O bolo do Tite fez o Corinthians voltar à estaca zero. Mas ele não está sozinho. Grêmio até pouco tempo entrava na fila e Santos, por exemplo, ainda vive momentos de indefinição ou instabilidade no comando técnico. A cada nova demissão, o ciclo recomeça: rumores, sondagens, memes e picos de buscas no Google.

Enquanto isso, os nomes livres ganham relevância. O Google mostra o termômetro da torcida, e a dança das cadeiras segue firme – talvez esperando o próximo Tite (e torcendo para não levar outro bolo).

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