
A Federação de Futebol da República Islâmica do Irã (FFIRI) anunciou oficialmente que a distribuição de ingressos para os torcedores iranianos na fase de grupos foi totalmente revogada, faltando pouquíssimos dias para o início do torneio co-organizado por Estados Unidos, México e Canadá.
A entidade máxima do futebol iraniano revelou que as normas da Fifa estipulam que cada federação participante tem direito a 8% da carga de ingressos de suas partidas para repassar aos fãs.
A FFIRI confirmou que já havia iniciado as vendas, mas foi forçada a cancelar os bilhetes, prejudicando centenas de torcedores que já tinham planos e pacotes de viagem comprados para a América do Norte. Em nota oficial, a federação disparou contra a decisão:
"Negar aos torcedores iranianos o acesso à sua cota legal e oficial de ingressos é uma ação contrária ao espírito que rege as competições internacionais. Este desenvolvimento levanta sérias questões sobre a interferência de considerações não desportivas e políticas na organização do maior evento de futebol do mundo."
Vistos negados e maratona de viagens
A preparação do Irã para o Mundial vem sendo marcada por extrema incerteza devido à guerra em curso no Oriente Médio e preocupações de segurança. A crise com as sedes americanas se acumulou em uma série de incidentes nas últimas semanas:
Mudança de sede: Em 25 de maio, a seleção transferiu sua base de treinamentos de Tucson, no Arizona (EUA), para Tijuana, no México , alegando que o governo americano não estava disposto a recebê-los.
Logística de guerra: Devido às restrições de seus vistos, os jogadores iranianos serão obrigados a entrar e sair dos Estados Unidos no mesmo dia de cada uma de suas três partidas da fase de grupos.
Comissão técnica barrada: No dia 6 de junho, o Irã acusou os EUA de negarem vistos a 15 funcionários administrativos considerados "essenciais" para o suporte da equipe técnica.
Guarda Revolucionária e o veto na fronteira
A polêmica envolve exigências ideológicas e militares. A FFIRI havia apresentado à Fifa uma lista com 10 condições para jogar a Copa, exigindo a liberação de atletas e dirigentes que cumpriram serviço militar no Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) — grupo considerado sensível pelo governo americano.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio , declarou que os jogadores do Irã serão bem-vindos, mas reiterou que indivíduos com ligações comprovadas à Guarda Revolucionária enfrentarão restrições severas de entrada no país.
Calendário do Irã na Copa do Mundo 2026
Mesmo em meio ao caos de bastidores, a seleção iraniana tem datas confirmadas para entrar em campo pela fase de grupos:
A federação iraniana fez um apelo público de última hora para que a Fifa intervenha e "mantenha os princípios da neutralidade, da imparcialidade e dos regulamentos estabelecidos" para evitar que o prejuízo aos torcedores seja definitivo.
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