
A Fifa anunciou o lançamento do "Super Shoutout", um serviço comercial inédito para a Copa do Mundo de 2026, que permitirá aos torcedores exibir nomes ou mensagens curtas nos telões das arenas antes das partidas. A novidade está disponível na plataforma oficial da entidade e custa US$ 79 (cerca de R$ 410 na cotação atual) por solicitação.
O conteúdo vai passar por uma análise prévia e rigorosa da organização, que vetará manifestações políticas, comerciais, ofensivas ou menções diretas a jogadores, árbitros e resultados, além do uso de emojis. Cada pessoa pode enviar no máximo quatro solicitações.
Para evitar conteúdos tóxicos ou trocadilhos inadequados, todas as mensagens passarão por uma moderação prévia da FIFA. Esse processo garante que as mensagens cumpram as regras estabelecidas e sejam adequadas para a exibição pública.
Embora os textos fiquem limitados a 30 caracteres, a Fifa confirmou que homenagens e pedidos de casamento serão permitidos. No entanto, a exibição ocorrerá exclusivamente antes do início do jogo, sem garantia de horário exato, tempo de duração ou posicionamento na tela.
Tironi Paz Ortiz, CEO da Imply ElevenTickets, que oferece tecnologias e serviços para clubes e eventos, analisa: “A tecnologia tem ganhado cada vez mais destaque nos eventos esportivos, o que nesse caso fica evidente desde a criação da plataforma para os torcedores solicitarem as mensagens até a exibição dela em telões de última geração. Independentemente do meio, a ação é muito interessante do ponto de vista de deixar a jornada do torcedor mais atrativa”.
Robson Carlo, sócio-fundador da FutebolCard, plataforma de gestão de venda de ingressos, explica a importância da novidade: “Ações que engajam os torcedores e os chamam para participar do espetáculo de uma outra maneira costumam ser uma ótima estratégia para conectar-se com o público. Iniciativas como essa possibilitam construir uma relação que vá além da simples experiência de assistir ao espetáculo e, consequentemente, também estimulam a fidelização desses torcedores”.
Inicialmente, o serviço contempla apenas os jogos da fase de grupos e restringe cada mensagem a uma única seleção nacional. A FIFA ainda não confirmou a extensão da iniciativa para as etapas eliminatórias. Os "slots" para a partida de abertura entre México e África do Sul, nesta quinta-feira, já estão esgotados. Contudo, ainda é possível adquirir o espaço para a estreia do Brasil contra o Marrocos, no sábado. A contratação deve ser feita em uma seção exclusiva no site oficial da FIFA.
"Essa iniciativa mostra como a FIFA vem expandindo a lógica de monetização da experiência do torcedor para além dos modelos tradicionais. Existe um movimento claro da indústria esportiva em transformar o torcedor em participante ativo da experiência, e não apenas espectador. Ao criar um produto para exibição de mensagens nos telões, a entidade comercializa pertencimento, memória e engajamento emocional, ativos cada vez mais valiosos dentro da economia da experiência e do esporte global", aponta Danielle Vilhena, diretora de projetos e operações de marcas esportivas da End to End, que faz a gestão de clubes e entidades esportivas.
A medida integra as ações de engajamento para o Mundial, sediado conjuntamente por Estados Unidos, Canadá e México, e é mais uma forma da Fifa de capitalizar novos recursos e promover o engajamento entre torcedores.
Para Thales Rangel Mafia, Gerente de Marketing da Multimarcas Consórcios, a ação atrai várias tipos de ingredientes que reúnem não apenas o protagonismo do torcedor, mas também vínculos emocionais.
"O futebol vive de memória afetiva, e essa iniciativa cria justamente isso. Permitir uma homenagem ou um pedido de casamento na arena transforma a partida em um marco pessoal na vida daquele torcedor. Esse vínculo emocional é o que sustenta o engajamento de longo prazo, muito mais do que qualquer ação pontual de comunicação", explica o executivo.
“O que está em jogo aqui é a transição do torcedor de espectador para protagonista. As marcas e as entidades esportivas que entenderem isso primeiro vão ganhar a próxima década. As pessoas não querem mais ser plateia passiva, elas querem coautoria na experiência, e o telão é uma forma simples e poderosa de entregar esse protagonismo”, completa Thales.
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