
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, deu um prazo para as 211 federações votarem a proposta da venda da Copa do Mundo para investidores. Segundo comunicado divulgado pela entidade máxima do futebol na última terça-feira, a Fifa Forward Enterprise (FFE) seria responsável por comercializar parte do torneio.
De acordo com o jornalThe Telegraph,Infantino deu 53 dias de prazo para que as federações possam votar a favor ou contra a proposta da Fifa. A ideia da entidade máxima do futebol é aumentar o investimento das federações que fizerem parte da FFE. O salto seria de 8 para 20 milhões de dólares (R$ 103 milhões) para o ciclo entre 2027 e 2030.
No entanto, ainda segundo oThe Telegraph,Infantino pode deixar as federações que votarem contra a proposta fora do novo modelo de investimento. A redução seria de quase 75%.
Uefa se posiciona contra
A Uefa, que havia ameaçado boicotar a Copa do Mundo caso a Fifa aprove o novo modelo de investimento, voltou a se posicionar contrária à ideia nesta quarta-feira (29). A entidade europeia afirmou que soube da data-limite de votação e ainda ressaltou que a proposta tem encontrado cada vez mais rejeição.
"Hoje tomamos conhecimento do prazo estipulado pela FIFA para que as associações apoiem as suas propostas ou tenham a oferta de pagamento único retirada. Isso diz tudo o que você precisa saber sobre este plano. Mas, após conversar com diversas partes interessadas de todo o esporte, a UEFA sabe que existe uma oposição significativa e crescente ao projeto da FIFA. A FIFA não pode continuar a usar o nosso esporte para enriquecer a si mesma e aos seus amigos. Podemos fazer o futebol crescer da maneira correta. É hora de priorizar associações, clubes, ligas, jogadores e torcedores. - nota da Uefa"
Concacaf também se manifesta
A Concacaf também se manifestou nesta quarta. Embora ainda não tenha assumido a posição contrária à proposta da Fifa, a entidade afirma que está “preocupada” com o processo.
A Concacaf só tomou conhecimento desta questão por meio de reportagens na mídia e, subsequentemente, por meio de um comunicado à imprensa.
Estamos profundamente preocupados com a falta de devido processo. Compartilhamos a decepção de muitos em nossa região e no esporte de que este nível de detalhe tenha sido projetado e compartilhado publicamente antes de qualquer discussão com os órgãos de governança relevantes e partes interessadas ter ocorrido.
Como líderes no futebol, somos os guardiões do esporte. Coletivamente, a FIFA, as Confederações e cada Associação Membro têm a responsabilidade de sempre agir em prol dos melhores interesses do esporte. Toda decisão que tomamos deve ser guiada por boa governança, processos robustos e administração de longo prazo.
Este é o quadro dentro do qual a Concacaf opera. Confiamos que todos na família FIFA agirão da mesma maneira.”
Entenda o que é a FFE e como ela funcionaria
A Fifa seria a principal acionista da Copa do Mundo. A ideia de Infantino é vender entre 20% e 30% da competição para investidores das 211 associações que fazem parte da entidade máxima do futebol. O acordo poderia render 15 bilhões de libras (R$ 201 bilhões).
Infantino seria um comissário dessa nova empresa que comandaria parte da Copa do Mundo. O presidente da Fifa, inclusive, já teria entrado em contato com alguns acionistas próximos à gestão de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, aliado forte do italiano. A JP Morgan coordena o processo.
Veja o comunicado da Uefa sobre a FFE:
"Isso ultrapassa uma linha que as instituições governantes do futebol nunca deveriam ultrapassar. A UEFA leva isso extremamente a sério. Todas as Associações Nacionais de Futebol também deveriam levar. Assim como todas as partes interessadas: ligas, clubes, jogadores, torcedores, governos e todos os que se importam com o futuro do esporte.
A alma e a governança do futebol não são bens para serem negociados — especialmente com zero transparência sobre quem ganha financeiramente. Nenhum de nós é dono do futebol. Ele não pertence à FIFA para ser vendido."
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