Esportes

João Fonseca não surpreende ao bater de frente com Sinner

Brasileiro fez o maior jogo de sua carreira igualando o nível ao número 2 do mundo; genialidade do italiano fez diferença nos pontos decisivos

ANDRE CIRRI

12/03/2026 • 22:10 • Atualizado em 12/03/2026 • 22:10

João Fonseca em duelo contra Jannik Sinner em Indian Wells
João Fonseca em duelo contra Jannik Sinner em Indian Wells - Foto: Jayne Kamin-Oncea-Imagn Images

Para a surpresa de apenas alguns, João Fonseca fez um jogo extremamente equilibrado contra Jannik Sinner . O carioca de 19 anos perdeu por 2 sets a 0, com parciais de 7/6 (6) e 7/6 (4), em um pouco mais de 2 horas de partida, nas oitavas de final do Masters 1000 de Indian Wells.

Para começo de conversa: Sinner estava em um dia ruim? Não. A ATP, por meio da plataforma de dados “Tennis Insights”, deu a nota 8,9 para a performance do italiano e 8,7 para o brasileiro . O número 2 do ranking ganhou 51% dos pontos do jogo, contra 57% de média na quadra rápida em 2025. Colocou 59% dos primeiros saques em quadra, contra 62% de média no ano passado, e venceu 86% desses pontos, contra 81% na última temporada. Terminou o jogo com 15 aces e 37 winners, além de apenas 1 dupla falta, números altos para uma partida de 2 sets.

Do outro lado, Fonseca entrou confiante, determinado a vencer o jogo e não apenas a ter a experiência de jogar pela primeira vez contra Sinner, como alguns esperavam. Embalado por vitórias expressivas sobre Karen Khachanov (#16) e Tommy Paul (#24), o brasileiro segurou o jogo no fundo da quadra contra quem melhor faz isso no mundo. Ganhou 23 pontos em ralis de 5 a 8 bolas, contra 17 do italiano. Manteve o jogo parelho até a genialidade e o controle mental do italiano entrarem em ação em pontos decisivos dos tie-breaks.

Em coletiva após a partida, João ressaltou que entrou em quadra pensando em mostrar para si mesmo que consegue estar no nível dos melhores e que busca essa experiência para saber lidar melhor com os momentos decisivos; um detalhe vital que destaca Sinner e Alcaraz, por exemplo. Olhando para o torneio como mais um capítulo desse crescimento como jogador, missão concluída.

Após o fim do jogo, parte do mundo do tênis respirou aliviada nas redes sociais: esse resultado “justificou” a animação em torno do brasileiro. Foi, finalmente, o suficiente (até a próxima derrota). E o problema desse raciocínio é justamente quando olhamos para um dos grandes desafios na carreira de um tenista: a consistência. Fazer um grande jogo contra um dos melhores jogadores do mundo, aos 19 anos, não garante uma boa sequência de vitórias e títulos em um futuro próximo, mas sim um capítulo importante de amadurecimento na carreira de João.

É importante que Fonseca, em jogos como esse, faça jus ao potencial que tanto exaltam. Mas que seja compreendida sempre a espécie de “jornada do herói” que é a vida de um atleta tentando alcançar o mais alto nível.

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