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Vitória do Brasil na AmeriCup reacende paixão pelo basquete

Seleção encerra jejum de 16 anos, derrota EUA em virada histórica e bate a Argentina na final; interesse pelo basquete cresce e projeta nova geração de talentos

Babi Fava

BABI FAVA

04/09/2025 • 15:01 • Atualizado em 04/09/2025 • 15:01

Selecao Brasileira Basquete
Selecao Brasileira Basquete - Foto: Redes Sociais

O ar ainda vibra com a emoção da vitória. Em 31 de agosto de 2025, em Manágua, na Nicarágua, a Seleção Brasileira masculina de basquete não apenas levantou um troféu: reescreveu sua história. A conquista da AmeriCup, a quinta do país, encerrou um jejum de 16 anos e reacendeu o orgulho nacional, trazendo de volta o interesse dos torcedores.

Dados exclusivos da Sala Digital da Band, com base no Google Trends, mostram a dimensão desse impacto. As buscas por “basquete” atingiram o auge no dia da final, assim como a pesquisa por “Copa América de Basquete”. O interesse por “Seleção Brasileira Masculina de Basquete” não só chegou no pico no dia dia do título, como subiu ainda mais no dia seguinte, para. O efeito não foi passageiro: a vitória virou combustível para a curiosidade e a paixão dos brasileiros.

A campanha na Nicarágua foi épica. Na semifinal, o Brasil virou um jogo em que chegou a estar 20 pontos atrás dos Estados Unidos e venceu por 92 a 77, em uma atuação marcada pela intensidade defensiva. Na final, a revanche contra a Argentina — algoz em 2022 — terminou em triunfo por 55 a 47, em duelo de poucas cestas, mas de muita disciplina tática. A conquista também marcou a despedida do técnico Aleksandar Petrovic, apelidado de “o croata mais brasileiro”, que deixa um legado de reconstrução.

O título teve protagonistas em quadra. Yago Santos, o “monstrinho” de 1,75m, foi o cestinha da decisão com 14 pontos e 5 assistências e coroado MVP do torneio, com médias de 17,8 pontos, 6,2 assistências e 3,3 rebotes. Bruno Caboclo, com 11 pontos e 7 rebotes, integrou o quinteto ideal da AmeriCup. Lucas Dias, Gui Deodato, Georginho de Paula e Vitor Benite também tiveram atuações decisivas, com Benite cravando uma bola de três que ajudou a selar a vitória.

A conquista consolida um projeto de renovação da Confederação Brasileira de Basketball (CBB). Jovens como Reynan Santos, Nathan Mariano, Zu Junior e Mathias Alessanco já vestem a camisa e sonham alto, enquanto nomes como Yago, Caboclo, Lucas Dias e Georginho amadurecem em ligas europeias. Gui Santos, do Golden State Warriors, mesmo ausente da AmeriCup, mantém a bandeira brasileira na NBA e inspira novos talentos.

O cenário é de crescimento. Segundo a Kantar Ibope Media, o número de fãs de basquete no Brasil triplicou na última década, saltando de 20 milhões em 2013 para 58 milhões em 2022. Incluindo crianças e adolescentes, a estimativa chega a 70 milhões. A NBA desempenha papel central nesse movimento: o país é o terceiro maior mercado da liga, atrás apenas de EUA e China, e o segundo em assinaturas do League Pass. Eventos como a NBA House e o aumento nas vendas de produtos oficiais confirmam a tendência.

Além das ligas, o basquete pulsa nas quadras de rua, onde o streetball é mais do que esporte: é cultura, inclusão e transformação social. É ali que muitos jovens encontram oportunidade de desenvolver talentos e sonhar com caminhos maiores.

O título da AmeriCup é um marco, mas também um ponto de partida. O desafio agora é estruturar melhor o esporte, com investimentos em base e gestão sólida.

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