
O presidente do Flamengo , Luiz Eduardo Baptista, o Bap, criticou o uso de gramados sintéticos em clubes da elite do futebol brasileiro e questionou a possível venda da SAF do Vasco da Gama. As declarações ocorreram após o Fórum Nacional de Formação Esportiva, organizado pelo Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), em Campinas.
Ao abordar a criação de uma liga no país, Bap afirmou que o debate sobre gramados deve ocorrer na Confederação Brasileira de Futebol. Segundo ele, o clube já apresentou posição sobre o tema e defende critérios de fair play financeiro e esportivo. O dirigente também citou ligas europeias como referência e disse que não há uso de campos sintéticos nesses torneios.
"Nós queremos montar uma liga no Brasil para fazer ela ficar maior, melhor e mais lucrativa. Num campo de plástico? Brincadeira isso. Agora, quem decide isso, o foro adequado para você discutir esse tipo de assunto é dentro da CBF. É com a CBF que vocês devem questionar. O Flamengo já fez a sua consideração, existe fair play financeiro, que nós apoiamos, e fair play esportivo também. É só você ver porque que nas ligas que nós nos inspiramos, na Europa, não se joga em campo de plástico", criticou.
Bap ainda direcionou críticas ao Palmeiras, mencionando o uso do Allianz Parque para eventos além do futebol. Para ele, o gramado sintético é adotado em contextos específicos, como em países com condições climáticas extremas, e não deveria ser aplicado como alternativa para reduzir custos de manutenção ou ampliar receitas com shows.
"Gente, o campo de plástico é uma forma de você poder manter o futebol vivo em países que passam 8 ou 9 meses por ano debaixo de gelo. Então a gente vai lá fora, pega uma ideia dessas, traz pra cá pra ter um custo de manutenção menor? Não é só ter um custo de manutenção menor, é para ganhar dinheiro com show. Quem quer ganhar dinheiro com show tem que mudar de segmento, vai fazer show. Quem quer ganhar dinheiro com futebol, quer o futebol forte do Brasil, deveria defender o campo natural de grama", disparou.
O dirigente afirmou que o posicionamento do Flamengo não se trata de polêmica e indicou que o uso desse tipo de piso pode impactar o valor da competição. Ele ressaltou que decisões sobre o tema cabem à Confederação Brasileira de Futebol.
Questionamentos sobre a SAF do Vasco
Durante o evento, Bap também comentou o possível acordo envolvendo a venda da SAF do Vasco da Gama ao empresário Marcos Lamacchia, enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras. O dirigente levantou dúvidas sobre o negócio e mencionou possível conflito de interesses.
"Vamos falar especificamente do caso de Palmeiras e Vasco. No mundo inteiro, tem soluções em que fica muito claro que não é possível ser dono de dois clubes. 'Ah, mas ali não tem propriedade cruzada'. É claro que tem, a legislação nacional muito clara a respeito disso", afirmou o dirigente flamenguista.
Ele citou modelos internacionais para afirmar que não é permitido o controle de mais de um clube e questionou a estrutura da negociação. Também mencionou o empréstimo de R$ 80 milhões feito pela Crefisa ao Vasco da Gama, que teve ações da SAF como garantia.
"Eu queria ver qual a instituição financeira que vai emprestar dinheiro pra vocês e vai pedir como garantia ao dinheiro que está colocando o título da sua dívida. Quem faria isso? Só quem quiser tomar conta da sua casa. É só olhar o caso do empréstimo da Crefisa ao Vasco da Gama e qual foi a garantia solicitada", questionou.
Bap questionou as condições da operação e afirmou que o caso deve ser analisado com base na legislação vigente.
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