
A pressão por resultados faz parte da rotina de qualquer grande equipe no automobilismo, mas na Arrow McLaren o nível de exigência mudou com a chegada de Tony Kanaan. No comando da gestão esportiva do time desde fevereiro de 2025, o brasileiro conquistou o primeiro triunfo da temporada no GP de Indianápolis, no circuito misto, com o dinamarquês Christian Lundgaard. O resultado tirou um peso das costas do dirigente, que admite ser o primeiro a se cobrar.
"A cobrança existe, mas existem maneiras de você cobrar as pessoas. Todo mundo que está aqui, está aqui para ganhar corrida. As pessoas que trabalham para mim, elas entendem que eu estou aqui só para ganhar. E eu sei que a gente vai perder muito mais do que ganhar, mas a mentalidade é vir aqui com a garra que eu sempre tive. Eu espero isso das pessoas que trabalham para mim", disparou o campeão da Indy de 2004.
A vitória de Lundgaard com o carro número 7 serviu para acalmar os ânimos internos e quebrar o jejum no início do campeonato. Para Kanaan, o resultado premiou o trabalho do engenheiro Chris Lawrenson, que venceu pela primeira vez na categoria, e serviu como uma injeção de combustível para todo o grupo antes das 500 Milhas.
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"Lógico que a gente teve um ano muito bom no ano passado, ganhamos corrida. Não é que foi a minha primeira vitória [como dirigente], mas este ano eu já vinha colocando bastante pressão em mim mesmo e na equipe. Eu não estava nem um pouco contente de a gente não ter ganho uma corrida ainda. Então, foi um alívio. Sempre é uma pressão muito grande gerir um time com o nome que tem, com os pilotos que eu tenho."
Com a abertura dos treinos oficiais para as 500 Milhas de Indianápolis, as equipes enfrentam uma maratona de seis horas diárias de pista aberta. Na visão de Kanaan, tentar decifrar a folha de tempos nessa fase do mês de maio é uma armadilha, já que fatores como a temperatura da pista e o vácuo mascaram o real desempenho dos carros. No treino livre 3, Pato O'Ward (McLaren) e Helio Castroneves lideraram, mas impulsionados pelo vácuo de outros competidores.
"Se você juntar todos os dias de treino que a gente tem, de terça até sexta, dá mais treino do que todos os treinos do ano inteiro em todas as corridas juntas. É muito tempo. Então, é um jogo psicológico intenso. Vai ficar louco se você tentar entender quem vai largar na pole e em que momento foi. Tem várias horas do dia: mais frio anda mais rápido, mais quente vai mais devagar."
Conhecedor profundo dos segredos do maior oval do mundo, o vencedor da edição de 2013 da Indy 500 prega cautela e lembra que as cartas mudam de mãos drasticamente até o momento da bandeira verde.
"Uma semana de treino, todo mundo vai achar que está ruim ou está bom. Sábado a gente vai acordar, vai estar um tempo diferente, ninguém vai saber mais nada. Você passa uma semana brigando com a sua cabeça se tem um carro bom ou não. Aí chega domingo, muda tudo de novo e a pista vai escolher o vencedor. Eu sempre falei isso. Fico muito contente que ela me escolheu em 2013, mas o resumo é esse", finalizou.
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