O volante de um carro da Indy é um dos elementos mais complexos do cockpit, reunindo dezenas de funções que vão desde trocas de marcha até gerenciamento de energia e comunicação estratégica com a equipe. Em visita ao caminhão da equipe AJ Foyt, o brasileiro Caio Collet mostrou em detalhes como funciona o equipamento utilizado durante as corridas da categoria.
Piloto da equipe norte-americana na Fórmula Indy, Collet explicou que o volante é totalmente configurado de acordo com as preferências de cada piloto. Durante a demonstração, o brasileiro detalhou os principais comandos usados nas corridas e como eles influenciam diretamente o desempenho do carro na pista.
Funções essenciais para pilotar o carro
Collet iniciou a explicação pela parte traseira do volante, onde ficam as borboletas responsáveis pela troca de marchas e pela embreagem.
“Essas duas são da embreagem, que usamos principalmente para entrar e sair do box. Depois disso, você só usa as trocas sequenciais de marcha. A da direita aumenta a marcha e a da esquerda diminui”, explicou.
Além das trocas de marcha, o volante também controla o sistema híbrido da IndyCar. O piloto pode escolher quando regenerar energia para a bateria ou quando utilizar a potência extra para ganhar velocidade, especialmente na saída de curvas que levam a retas longas.
Overtake e gerenciamento de energia
Outro botão importante destacado por Collet é o sistema de ultrapassagem da IndyCar, que oferece potência adicional por tempo limitado durante a corrida.
“Esse aqui é o overtake. São 150 segundos de potência extra que você pode usar da maneira que quiser na corrida. Normalmente você guarda para momentos de disputa direta com outro piloto ou para entrada e saída do box”, disse.
Segundo o brasileiro, muitos dos botões são definidos pelo próprio piloto em conjunto com a equipe, permitindo que cada volante seja configurado de forma específica.
Personalização e estratégia
A personalização também inclui o formato do volante e a posição dos comandos. Alguns pilotos chegam a moldar o equipamento de acordo com o formato das mãos.
“Tudo é personalizado. O grip pode ser moldado para a mão do piloto. Meu companheiro Santino, por exemplo, tem a mão moldada no volante. Eu preferi um modelo mais comum”, afirmou.
Além disso, Collet explicou que algumas funções permitem comunicação estratégica sem precisar falar pelo rádio. Como todas as equipes da IndyCar têm acesso às transmissões de rádio durante a corrida, os pilotos podem usar códigos no volante para informar decisões à equipe.
“Às vezes você quer parar no box naquela volta, mas não quer falar no rádio porque todo mundo escuta. Então você muda um código no volante e o engenheiro já entende a estratégia.”
Ajustes em tempo real
Durante a corrida, o volante também permite ajustar parâmetros importantes do carro, como mapas de combustível, torque do motor e distribuição de frenagem.
“Você pode mudar o mapa de combustível para ter mais potência em uma volta rápida ou economizar gasolina quando precisa fazer fuel save”, explicou.
Nos circuitos ovais, o volante também ativa o weight jacker , sistema que altera a distribuição de peso do carro para ajustar o equilíbrio durante a corrida.
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