
A Fórmula E é uma categoria com muito pioneirismo. Entre os principais méritos, a competição leva a fãs e jornalistas um grid equilibrado, com disputas abertas e corridas que eventualmente são decididas depois da última curva. Ao mesmo tempo, promovem uma mensagem que equilibra sustentabilidade e esporte de alto rendimento, atraindo marcas conhecidas em todo o mundo.
Mas se você acha que falta pimenta neste cenário, prepare-se para Driver , a série documental da F-E disponível do Amazon Prime Video a partir de 2 de maio. A produção é uma parceria da Astronaut Films com a All3 Media International.
A novidade surfa no sucesso de Drive to Survive , a série documental lançada em 2019 pela Netflix para retratar bastidores das temporadas da Fórmula 1 . Desde então, outros produtos semelhantes foram anunciados e lançados, como F4 Future 1 (da Fórmula 4 Brasil , disponível no YouTube), F1: The Academy (sobre a F1 Academy , também da Netflix) e Unplugged (da própria Fórmula E, também no YouTube).
Driver investe na mesma premissa: busca histórias além da que o público vê nas corridas. Para isso, apoia-se em imagens da infância dos pilotos, entrevistas exclusivas, depoimentos de familiares, gravações em bastidores, mensagens de rádio e filmagens de eventos fora das agendas oficiais. O trio Gavin Whitehead, Oliver Englehart e Harry Double assina a produção e a direção.
A primeira temporada da série registra o campeonato de 2023/2024, vencido por Pascal Wehrlein . Curiosamente, o alemão da Porsche tem pouco espaço nos quatro episódios que formam a primeira temporada. O foco fica sobre quatro nomes: António Félix da Costa ( Porsche ), Mitch Evans ( Jaguar ), Jake Dennis ( Andretti ) e Dan Ticktum ( ERT ).
Há, no entanto, acertos nas escolhas. Dennis começou a temporada como o campeão do campeonato 2022/2023, e tinha a missão de defender o título. Ao longo dos capítulos, a série mostra como o britânico foi ficando para trás, e de maneira nem sempre amistosa. Dois episódios do E-Prix de Berlim são marcantes neste ponto: o abandono na corrida 1 após um acidente com Da Costa (seguido de uma conversa nada amistosa entre os dois) e as pesadas crítica que o campeão de 2023 faz nos bastidores da Andretti ao próprio engenheiro de corridas, Sean McGill.
Para Dennis, a temporada como campeão vigente representa o melhor momento da carreira. “(Conquistar o título) foi um grande alívio. Mais do que qualquer coisa, para ser honesto”, diz o britânico, livre da pressão inicial, mas com a difícil tarefa de ser novamente campeão. “Quando você tem um campeonato no seu currículo, você tem mais confiança em si mesmo.”
Enquanto Da Costa e Evans entram na lista de favoritos à conquista, Ticktum ocupa a vaga deenfant terribledo grid. Ao longo dos episódios, o britânico é visto dando declarações debochadas ou concedendo entrevistas com um pint de cerveja na mão. O brasileiro Sérgio Sette Câmara , amigo de Ticktum e companheiro de equipe na ERT, reconhece: às vezes ele pode parecer arrogante, mas às vezes ele pode mesmo ser arrogante, porque às vezes é necessário ser arrogante.
O temperamento de Dan Ticktum é diferente, mas não foge à regra dos bastidores exibidos pela série. Você verá pilotos falando palavrões, batendo boca, compartilhando frustrações, revelando inesperadas pressões e vivendo a vida em passeios com a namorada, a visita da mãe ou uma folga com os cães na praia. E também um café com o empresário em um luxuoso barco em Mônaco - afinal, são pilotos. Tudo isso naturalmente, sem forçar situações ou criar rivalidades inexistentes.
Você verá também os astros da Fórmula E abrindo o coração em momentos que a transmissão não mostra. Como na entrevista em que Jake Dennis diz que a mente de um piloto “é um lugar assustador”, e reconhecendo que um acidente em alta velocidade “sempre dá um medo, mas você tem que dar um jeito de aceitar isso”. “Você precisa ser um pouco babaca para ser o melhor. Esse instinto assassino é com certeza o que você precisa ter”, concorda António Félix da Costa.
Há acertos, mas há também problemas. O fato de apenas quatro episódios serem lançados passa uma impressão de que o produto, embora tecnicamente bom, foi terminado às pressas. A ausência da disputa pelo título também. Pontos que podem ser facilmente sanados em uma segunda temporada da série.
É inegável que a Fórmula 1 ganhou um gigantesco impulso de popularidade entre os mais jovens após o lançamento de Drive to Survive. E é pouco provável que Driver consiga algo semelhante para a Fórmula E - a exemplo do que se viu em séries de outras categorias. Mas para o público que já curte a competição elétrica, é uma excelente oportunidade para se apaixonar um pouco mais e para revisitar detalhes das corridas que ficaram para trás.
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