Fórmula E

Acordo entre Fórmula E e Google vai levar tecnologia a pilotos e motoristas

Objetivo é fazer com que novas ferramentas possam impactar não apenas a categoria elétrica, mas também a mobilidade urbana

EMANUEL COLOMBARI

04/12/2025 • 15:41 • Atualizado em 04/12/2025 • 15:41

A Fórmula E e o Google se uniram em 2023 em uma parceria para utilizar a tecnologia e a inteligência artificial, com o objetivo de desenvolver a mobilidade urbana e a própria categoria elétrica. A partir da temporada 2025/2026, a marca Google Cloud é o serviço oficial de tecnologia em nuvem da competição.

O acordo é plurianual e pretende potencializar a tecnologia da F-E, que já é conhecida pelo forte vínculo com o que há de mais moderno no setor. Com o desenvolvimento consolidado, as duas partes querem impactar positivamente a mobilidade nos grandes centros no futuro.

“Temos as ferramentas – inteligência artificial, análise de dados – que realmente nos ajudam a superar os limites”, afirmou Alberto Longo, cofundador e diretor do campeonato da Fórmula E, durante evento nesta quinta-feira (4) em São Paulo.

“O mais importante é que criamos uma parceria única. Acho que a parceria que temos com o Google Cloud não é boa apenas hoje. Acho que vai mudar a maneira como vemos o automobilismo no futuro – e, mais importante, vai mudar a mobilidade em geral”, completou.

Para exemplificar o potencial da parceria, a Fórmula E apresentou um desafio na prática. A ideia era colocar um carro da categoria com apenas 1% da bateria nos arredores de Mônaco, mas conseguir gerar energia suficiente para que o Gen 3 Evo em questão chegasse ao circuito de Monte Carlo e conseguisse uma volta. Graças a uma rota oferecida pelo Gemini, a inteligência artificial do Google, a energia gerada foi suficiente para que o plano fosse cumprido com sucesso.

A iniciativa é um dos motivos que levam a Fórmula E a comemorar o avanço tecnológico conquistado desde a temporada 2014/2015 que marcou o início da competição. “Nós não podíamos fazer um carro que disputasse a corrida toda. O piloto tinha que sair e trocar de carro”, lembrou Dan Cherowbrier, diretor de tecnologia da informação da F-E, animado com o futuro.  “Não é segredo que inteligência artificial será a grande mudança na nossa geração.”

Para Milena Leal, country manager do Google Cloud Brasil, a tecnologia trabalha para ajudar, e é natural que adotada a partir do momento em que o usuário se adapta.

“Como é bacana conectar o propósito do uso da tecnologia para trazer performance para a empresas, para trazer a alegria do uso da tecnologia no dia a dia e trazer a transformação dentro das nossas companhias”, destacou Leal. “A gente entende que as grandes companhias estão muito preocupadas com o uso e a implementação da tecnologia. O mais difícil não é a implementação, é a mudança do mindset das pessoas que fazem a utilização.”

A inteligência artificial na Fórmula E

No terreno da Fórmula E, a chegada de novas tecnologias é vista com um impulso para o desenvolvimento. Segundo Lucas di Grassi, piloto da Lola Yamaha Abt, o potencial oferecido pela inteligência artificial supera o do ser humano, mas nem por isso vai substituir os pilotos no grid.

“Tudo que é controlado por humano, a IA vai ser melhor. A IA vai ser melhor que qualquer piloto que já existiu. Isso é só questão de tempo”, afirmou Di Grassi. “Existe uma barreira física que a gente não vai conseguir competir com a IA. Mas o automobilismo ainda vai ser automobilismo, a gente ia quer saber quem é o melhor piloto”, completou.

Mas como funcionaria? Segundo o piloto, a ideia é que a inteligência artificial possa multiplicar os dados de treinos para análise, por exemplo; assim, seria possível construir uma base muito mais sólida para apontar o que pode ser melhorado.

“Amanhã a gente tem meia hora de treino. Eu vou dar 12 voltas nessa meia hora de treino. Eu não andei nessa pista faz um ano, e não dá para chegar no Sambódromo com um Fórmula E e falar ‘dá licença aí que eu vou testar o carro’, não tem como. Em Interlagos até dá, mas no caso da Fórmula E não dá. Então, a gente passa uma boa parte do tempo no simulador, mas mesmo no simulador eu dou 200 voltas por dia”, explicou.

“Agora imagina se eu pegar um modelo meu, umvirtual twindo Lucas com as técnicas, com as latências, com tudo o que o Lucas tem de certo e errado, e fazer dar 1 milhão de voltas na pista de do Sambódromo antes de eu sentar no simulador e usar o AI para, quando eu for para o simulador, que foi semana passada, fazer os treinos pré-prova e eu já saber qual é o limite máximo - não do AI, mas do Lucas.”

Segundo Di Grassi, esta tecnologia ainda não foi desenvolvida, mas está nos planos da Lola Yamaha Abt para 2026. Com isso, o time teria uma inteligência artificial que poderia buscar uma grande base de dados antes dos testes reais.

“No futuro, você pode extrapolar esse tipo de dado. Você pode ter, por exemplo, em um carro esportivo de rua, um driver coach do (Max) Verstappen, do (Lewis) Hamilton, do Lucas (di Grassi), do que você quiser fazer o download e usar a técnica, o estilo de pilotagem de cada piloto para te treinar ou para te ajudar num carro de rua”, projetou.

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