Uma máxima antiga do automobilismo afirma que o primeiro adversário de um piloto é seu companheiro de equipe. Em 2025, para a McLaren, essa frase nunca foi tão relevante . A disputa entre o australiano Oscar Piastri e o britânico Lando Norris não é apenas uma briga interna por superioridade; é a batalha direta pelo cobiçado título mundial de Fórmula 1.
A tensão entre os dois vem crescendo a cada etapa. No Canadá, um erro de Norris causou uma colisão que forçou seu abandono, enquanto Piastri continuou na prova. O inglês prontamente assumiu a culpa. O troco quase veio na Áustria e na Hungria, com Piastri em manobras agressivas sobre o parceiro. Em Singapura, o ápice: Norris tocou em Max Verstappen e também em Piastri, que não escondeu a frustração. Apesar de uma asa danificada, Norris terminou em terceiro, à frente do australiano, que ainda lidera o campeonato com uma vantagem de 22 pontos.
Essa disputa acirrada não é novidade na história da categoria, que é marcada por rivalidades que implodiram equipes e raramente tiveram um desfecho pacífico. A história da Fórmula 1 é um grande livro de contos sobre companheiros que se tornaram inimigos.
Reutemann vs. Jones (Williams, 1981)
Em 1981, Carlos Reutemann se recusou a aceitar a ordem da Williams para ceder a liderança a Alan Jones no GP do Brasil em Jacarepaguá. O argentino venceu na marra e o australiano não subiu ao pódio em protesto. No fim do ano, Reutemann era o único piloto da Williams com chance de título, mas ele não recebeu nenhuma ajuda de Jones , que venceu a prova decisiva em Las Vegas. Reutemann teve problemas no câmbio e Nelson Piquet, da Brabham, ficou com o título.
Piquet vs. Mansell (Williams, 1986-1987)
Na própria Williams, Nelson Piquet foi o protagonista de outra briga interna com Nigel Mansell . Em 1986, a disputa foi tão intensa que os dois perderam pontos preciosos, e Alain Prost levou a McLaren a um título inesperado . Na temporada de 1987, a rivalidade continuou e Piquet passou a guardar para ele próprio os acertos do carro. Após um acidente, o brasileiro passou a correr pensando nos pontos, enquanto Mansell manteve o estilo arrojado. A regularidade deu o tricampeonato a Piquet , que deixou a Williams ao final da temporada.
Senna vs. Prost (McLaren, 1989)
Talvez a rivalidade mais icônica de todas. O que era uma disputa se tornou uma guerra declarada em 1989, culminando no controverso acidente provocado por Alain Prost em Suzuka, que lhe garantiu o título sobre Ayrton Senna. A relação se tornou insustentável, e o francês trocou a McLaren pela Ferrari no ano seguinte, apenas para levar o troco de Senna na mesma pista, em 1990.
Hamilton vs. Alonso (McLaren, 2007)
A equipe de Woking reviveu o drama quando o bicampeão Fernando Alonso e o estreante Lewis Hamilton se enfrentaram. O ego e o talento de ambos colidiram, com o ápice na Hungria, quando Alonso deliberadamente segurou Hamilton nos boxes durante a classificação. A briga interna foi tão prejudicial que ambos perderam o título por um único ponto para Kimi Räikkönen, da Ferrari.
Hamilton vs. Rosberg (Mercedes, 2014-2016)
A mais recente grande guerra interna. Amigos de infância, Lewis Hamilton e Nico Rosberg levaram a Mercedes ao domínio, mas a relação se desintegrou. Toques na Bélgica (2014), Espanha (2016) e Áustria (2016) marcaram a rivalidade. Após uma temporada de extrema pressão e o título conquistado em 2016, um esgotado Rosberg anunciou sua aposentadoria aos 31 anos.
De volta a 2025, a rivalidade entre Piastri e Norris ainda não explodiu em uma guerra total. Os incidentes, por enquanto, são gerenciados internamente. Mas com a pressão do campeonato aumentando a cada volta, a história deixa uma pergunta no ar: até quando a paz irá durar?
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