Fórmula 1

Gucci, Benetton, Nike e Tommy: como a moda moldou o DNA da Fórmula 1?

Relação entre a maior categoria do automobilismo do mundo e alta costura é bem mais antiga do que parece...

Gabriel Alberto

GABRIEL ALBERTO

27/05/2026 • 14:28 • Atualizado em 27/05/2026 • 14:28

Michael Schumacher durante coletiva de imprensa com a Nike em 1996
Michael Schumacher durante coletiva de imprensa com a Nike em 1996 - Foto: F1

Um dos momentos mais marcantes da história de uma colaboração com uma marca foi quando Pelé, nas quartas de finais da Copa do Mundo de 1970, na partida entre o Brasil e o Peru, foi direto para o meio do campo e pediu tempo aos árbitros para amarrar as chuteiras. Bem, na hora, todos viram e assimilaram: “O maior jogador do mundo usa Puma”.

Com a Fórmula 1, essa relação com o esporte ou, melhor, o automobilismo, não é diferente. A prova definitiva dessa simbiose aconteceu com o anúncio de que a grife de luxo italiana Gucci será a nova patrocinadora máster da equipe Alpine a partir de 2027.

Porém, é preciso voltar ainda mais no tempo. A virada de chave comercial da F1 começou em 1968, quando a FIA permitiu publicidade livre — momento eternizado por Bernie Ecclestone ao colar um adesivo no capacete de Jochen Rindt com os dizeres"$this space to let"(este espaço está para alugar).

Benetton

Talvez essa seja a marca que tenha marcado o mundo da Fórmula 1, ou que tenha sido a mais vitoriosa. Nos anos 1980, a marca italiana de roupas — famosa pela linhaUnited Colors of Benetton— entrou na F1 de forma ousada. Começou patrocinando a Tyrrell (estampando o icônico carro verde 012) e a Alfa Romeo. Mas a ambição da família Benetton foi além: em 1985, eles compraram a equipe Toleman.

Já em sua temporada de estreia como construtora, em 1986, celebraram a vitória no GP do México, com Gerhard Berger. Sob o comando de Flavio Briatore e o talento do jovem Michael Schumacher, a equipe de moda conquistou os Mundiais de Pilotos de 1994 e 1995 com macacões multicoloridos que ditaram a estética da época, provando que uma marca de roupas poderia dominar.

Sergio Tacchini e Senna

Muito antes de marcas de tênis inundarem o paddock, a italiana Sergio Tacchini, tradicionalmente ligada ao tênis, fez história na F1. Em 1984, ano de estreia de um jovem promissor chamado Ayrton Senna, a marca parceira da Toleman desenhou o kit de uniformes da equipe e estampou seu logo no carro e no capacete do brasileiro.

A parceria ganhou projeção mundial nas ruas de Mônaco naquele mesmo ano, quando Senna largou em 13º sob um dilúvio e escalou o pelotão até chegar em segundo lugar.

Nike e Schumacher

Em 1996, Michael Schumacher chocou o mundo ao se transferir para a Ferrari. De olho no impacto cultural do alemão (e embalada pelo sucesso estrondoso da linha Air Jordan no basquete), a Nike decidiu entrar na Fórmula 1.

Até 2002, a gigante americana forneceu sapatilhas de corrida personalizadas de camurça vermelha e preta para o heptacampeão. O ápice comercial dessa parceria foi o lançamento do Air Zoom Schu , um tênis de cano alto de edição limitada com sola de fibra de carbono e a assinatura de Schumacher.

Giorgio Armani e Ferrari

Se existe uma marca que dita a sofisticação italiana, é a Giorgio Armani. Conhecida por redefinir a alfaiataria nos anos 1980, a grife levou seu minimalismo elegante para a escuderia mais famosa do mundo em 2021. Através de uma parceria plurianual com a Ferrari, a Armani passou a vestir a equipe fora das pistas.

Tommy Hilfiger

Embora a Tommy Hilfiger seja fortemente associada à Mercedes, sua história na F1 começou bem antes. A marca estampou a Lotus de 1991 a 1994 e forneceu uniformes para a Ferrari até 2001. O retorno triunfal aconteceu em 2018, ao se aliar à Mercedes e lançar as badaladas coleçõesTommy x Lewis.

A parceria foi tão longe que a Tommy Hilfiger patrocinou a equipe fictícia APXGP no filme de Hollywood sobre a F1 e vestiu o ator Damson Idris no Met Gala de 2025 (onde Hamilton foi co-chair e brilhou com um look repleto de simbolismo da estilista Grace Wales Bonner). Agora, a empresa está de volta ao grid da Fórmula 1 com a Cadillac.

Adidas e Puma

O crescimento absurdo da F1 atraiu os maiores nomes do esporte mundial. A Puma construiu um verdadeiro império no automobilismo, tornando-se a fornecedora oficial de materiais da F1.

No entanto, o cenário ganhou ainda mais fogo no início de 2025, quando a Adidas (liderada por Bjørn Gulden, ex-CEO da própria Puma) anunciou um contrato multimilionário com a Mercedes, substituindo a Tommy Hilfiger. Não satisfeita, a empresa também é a fornecedora oficial de materiais para a Audi.

Newsletter Notícias

Inscreva-se na nossa newsletter e receba as noticias mais importantes do dia direto no seu e-mail.

Selecione os seus temas favoritos: