
Augusto Melo foi expulso do quadro associativo do Corinthians nesta segunda-feira (1º), após decisão do Conselho Deliberativo do clube. O ex-presidente, que sofreu impeachment em agosto do ano passado, teve a exclusão aprovada por ampla maioria dos conselheiros.
A votação registrou 147 votos favoráveis à expulsão, cinco contrários e quatro abstenções. O julgamento interno teve como base os acontecimentos de maio de 2025, quando Augusto Melo tentou reassumir a presidência do Corinthians durante o período em que estava afastado do cargo.
Antes da votação, Augusto Melo divulgou uma nota oficial afirmando que recebeu ligações sugerindo sua renúncia ao quadro associativo, possibilidade que rejeitou. O ex-dirigente também negou irregularidades e contestou as acusações relacionadas ao caso.
“Tenho sido alvo de acusações graves, incluindo a alegação de uma suposta tentativa de golpe, que não provam nada. Sempre respeitei a democracia, o estatuto do clube e as suas instituições”, declarou.
Uma tentativa de obter liminar para suspender a reunião do Conselho foi apresentada à Justiça, mas não houve decisão antes do início da votação.
Torcedores protestam no Parque São Jorge
A reunião do Conselho Deliberativo foi acompanhada por manifestações do lado de fora do Parque São Jorge. Torcedores do Corinthians se reuniram para apoiar a exclusão de Augusto Melo e entoaram cânticos contra o ex-presidente.
A mobilização, no entanto, foi menor do que a registrada durante a votação que resultou na expulsão do ex-presidente Andrés Sanchez, realizada na semana anterior. Augusto Melo não compareceu ao encontro. Sua defesa foi conduzida pelo advogado Ricardo Jorge.
Ex-presidentes deixam quadro associativo
A decisão contra Augusto Melo ocorre poucos dias após outras mudanças envolvendo ex-dirigentes do Corinthians. Andrés Sanchez foi expulso do quadro associativo em 25 de maio, após investigações apontarem gastos pessoais de R$ 480.169,60, em valores corrigidos, no cartão corporativo do clube.
Já Duilio Monteiro Alves anunciou a renúncia ao título de sócio remido e ao cargo de conselheiro vitalício. Em carta aberta, o ex-presidente informou que deixaria de forma definitiva o quadro de sócios do Corinthians.
Entenda o caso
O processo que culminou na exclusão de Augusto Melo está relacionado aos acontecimentos de maio de 2025. Na ocasião, Maria Angela Ocampos, então vice-presidente do Conselho Deliberativo, declarou-se presidente do órgão ao apresentar um documento que indicava o afastamento de Romeu Tuma Júnior da função.
Com base nesse entendimento, Augusto Melo entrou na sala da presidência do Parque São Jorge e tentou reassumir o comando do clube. O ato ocorreu na presença de Osmar Stábile, então presidente interino.
Posteriormente, o documento utilizado para justificar a mudança foi considerado inválido por não ter passado pelos procedimentos necessários dentro da estrutura administrativa do Corinthians.
O episódio passou a ser tratado internamente como uma tentativa de retomada do poder e serviu de fundamento para o processo disciplinar que resultou na expulsão do ex-presidente.
Caso Vai de Bet marcou gestão Melo
Eleito presidente do Corinthians em 2023, Augusto Melo assumiu o cargo após encerrar um ciclo de 16 anos do grupo Renovação e Transparência no comando do clube.
A crise em sua gestão ganhou força em maio de 2024, quando surgiram questionamentos envolvendo o contrato de patrocínio firmado com a Vai de Bet.
O acordo previa pagamentos à empresa Rede Social Media Ltda., apresentada como intermediadora da negociação. As investigações posteriores apontaram suspeitas sobre a movimentação dos recursos relacionados ao contrato.
O caso levou à abertura de um dos pedidos de impeachment contra Augusto Melo. Após diferentes adiamentos, o Conselho Deliberativo aprovou o afastamento do dirigente em maio de 2025.
A decisão foi posteriormente confirmada em Assembleia Geral dos sócios realizada em agosto do mesmo ano, encerrando oficialmente o mandato do presidente.
Além de Augusto Melo, também se tornaram réus no processo os ex-dirigentes Marcelo Mariano e Sérgio Moura, além do empresário Alex Cassundé e outros envolvidos citados nas investigações. Todos negam as acusações apresentadas.
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