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Perfis de participantes que sempre se repetem no BBB e continuam em alta

Psicólogo explica por que certos estereótipos se repetem no reality e seguem mobilizando o público a cada edição

NICOLE DEFILLO

17/12/2025 • 15:39 • Atualizado em 17/12/2025 • 15:39

BBB 26
BBB 26 - Foto: Reprodução/ BBB

A cada nova temporada do Big Brother Brasil , o público percebe uma sensação de déjà-vu: independentemente do elenco, alguns perfis parecem sempre se repetir dentro da casa. O vilão, o favorito, o estrategista, a “planta” e o participante explosivo continuam dominando as narrativas do reality e sustentando debates intensos nas redes sociais.

Para o professor de psicologia Fabrício Otoboni, da Wyden, esse fenômeno não está ligado apenas à escolha do elenco, mas a um mecanismo básico do comportamento humano. Segundo ele, o cérebro busca padrões conhecidos para interpretar situações novas, especialmente em ambientes de convivência extrema como o confinamento do BBB . “Papéis como líder, rebelde ou vilão ajudam a organizar a dinâmica social e tornam o jogo mais compreensível para quem assiste”, explica.

O público, por sua vez, também participa ativamente dessa construção. Como não acompanha a convivência completa, tende a simplificar relações complexas por meio de rótulos rápidos. Essa categorização facilita o entendimento do jogo e cria uma narrativa mais confortável de acompanhar, ainda que deixe de lado nuances importantes do comportamento dos participantes.

O confinamento e a pressão emocional funcionam como catalisadores desses estereótipos. Emoções intensificadas, falta de privacidade e vigilância constante fazem com que traços que seriam sutis fora da casa apareçam de forma amplificada. Nesse contexto, atitudes pontuais acabam sendo encaixadas em perfis já conhecidos pelo público, muitas vezes de forma automática.

As redes sociais aceleram ainda mais esse processo. Pequenos recortes ganham força, memes moldam percepções e julgamentos se espalham rapidamente, criando a sensação de consenso. “Uma narrativa que viraliza passa a ser vista como verdade absoluta, mesmo quando o programa mostra comportamentos contraditórios”, observa Otoboni.

Figuras como vilão, favorito ou planta seguem fortes porque organizam emocionalmente a história. Esses papéis despertam identificação, rejeição ou curiosidade, mantendo o público engajado e emocionalmente envolvido com o jogo. No entanto, essa lógica também cobra um preço dos participantes, que muitas vezes são reduzidos a uma única faceta de si mesmos durante e após o programa.

Ainda assim, há espaço para viradas. Mudanças de postura, demonstrações de vulnerabilidade ou atitudes inesperadas podem romper narrativas pré-estabelecidas, desde que o público perceba autenticidade. Para o especialista, o BBB acaba funcionando como um espelho da sociedade : um microcosmo que revela nossa dificuldade coletiva de lidar com ambiguidades e a necessidade constante de definir quem está “certo” ou “errado”.

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