
Aos 82 anos, Milton Nascimento agora convive com a demência por corpos de Lewy . A notícia foi confirmada pelo filho, Antônio, em entrevista à Revista Piauí nesta quinta-feira (2). A condição é uma doença neurodegenerativa, que não tem cura.
Segundo Augusto, os sinais apareceram neste ano, quando ele percebeu lapsos de memória, olhar fixo e repetição de histórias pelo pai, além de alterações no apetite. Milton Nascimento já convive também com a Doença de Parkinson.
Augusto contou que, ao notar a piora no quadro cognitivo, foi atrás de realizar um sonho de viajar com o pai pelos Estados Unidos. "Quando vi que meu pai apresentava uma piora no quadro cognitivo, perguntei ao médico se seria uma loucura fazer uma viagem de motorhome com ele. Ele disse que, se fosse, era agora", contou para a revista.
O que é demência por corpos de Lewy?
Diogo Haddad, médico e head do Centro Especializado em Neurologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, explica que a demência por corpos de Lewy ocorre pelo acúmulo de uma proteína no cérebro.
"As proteínas, chamadas de corpos de Lewy, se acumulam dentro das células do cérebro. Esse processo compromete gradualmente a função cerebral e provoca sintomas que lembram tanto o Alzheimer, quanto o Parkinson", explica.
Demência por corpos de Lewy não tem cura
O médico neurologista explica que apesar da condição não ter cura, há tratamento. "As terapias ajudam a controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. Medicamentos podem ser utilizados para memória, atenção e comportamento, além de fármacos que atuam nos sintomas motores", diz.
Além disso, é preciso que o paciente faça tratamentos complementares. "Deve ser acompanhado de fisioterapia, terapia ocupacional e acompanhamento de familiares e cuidadores", afirma Diogo Haddad.
Quais os sintomas de demência por corpos de Lewy?
A doença surge de forma variada. Entre os principais sintomas, Diogo lista alterações de memória, dificuldade de atenção e flutuações cognitivas ao longo do dia.
"Dos sintomas motores, podem surgir tremores, rigidez muscular e lentidão, semelhantes aos observados no Parkinson. Também são comuns alucinações visuais muito vívidas e alterações do sono, em que a pessoa chega a “atuar” seus sonhos", afirma.
Envelhecimento é fator de risco para demência
O médico neurologista afirma que o principal fator de risco para o distúrbio é o envelhecimento. "A maior parte dos casos ocorre após os 60 anos. O histórico familiar pode contribuir, embora a maioria dos episódios não seja herdada diretamente", pontua.
Outros problemas de saúde podem influenciar. "Doenças como hipertensão, diabetes e outros problemas cardiovasculares também aumentam a vulnerabilidade, pois afetam a saúde cerebral de forma geral", afirma.
Parkinson pode aumentar risco de demência
Milton Nascimento já convive com Parkinson e, por isso, teve maior risco de desenvolver a demência por corpos de Lewy, como explica o neurologista. "A doença de Parkinson e a demência por corpos de Lewy pertencem a um mesmo grupo de doenças relacionadas ao depósito da proteína alfa-sinucleína no cérebro", diz.
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