
A história de "Dona Beja", que está no ar na tela da Band, é baseada em fatos reais e na vida de Ana Jacinta de São José, que viveu no século XIX e marcou a história de Araxá, em Minas Gerais. Mas além de Beja, a maioria dos personagens da novela não é real.
Para o Band Entretê, Daniel Belinsky, autor do remake, contou que ele e a equipe se inspiraram em pessoas reais para compor os personagens, que são em sua maioria fictícios. A ideia de Daniel era de validar a diversidade racial e de pessoas LGBTQIAPN+ em uma novela de época.
"Eles [personagens da novela] não são os personagens históricos, mas validam a existência deles na história, contamos a história daqueles silenciados, damos poder a quem foi calado - Daniel Belinsky."
"O que fizemos foi procurar na história resquícios de que isso existiu, para que não fizéssemos personagens anacrônicos", explica Belinsky. Tanto que ele explicou algumas das referências usadas na novela.
Antônio foi baseado no Visconde de Jequitinhonha
Daniel contou que compôs o personagem de Antônio (David Júnior) usando como referência o Francisco Jê Acaiaba de Montezuma, conhecido como Visconde de Jequitinhonha. Ele foi um advogado, jornalista, escritor, político e senador abolicionista.
Segundo registros, Francisco estudou na Universidade de Coimbra e ao voltar ao Brasil, foi um fervoroso defensor da Independência do Brasil, atuou na guerra de independência da Bahia e chegou a ser condecorado por D. Pedro I.
Na carreira, ele assumiu uma série de cargos, como deputado de província, Ministro da Justiça, Ministro dos Negócios Estrangeiros, diplomata em Londres, Conselheiro de Estado e Senador, tendo sido o primeiro político a defender no Parlamento o fim da escravidão no Brasil.
Severina tem como referência Xica Manicongo
A personagem Severina (Pedro Fasanaro) é uma dissidente de gênero, ou seja, não se identifica com o gênero imposto. Muitos podem pensar que uma personagem LGBTQIAPN+ no século XIX seria impossível, mas para validar a existência de Severina na trama, Daniel Belinsky utilizou como referência Xica Manicongo.
Xica Manicongo foi a primeira travesti a ser registrada na história brasileira, três séculos antes da história de Dona Beja. Xica era Francisco Manicongo, ou Francisco de Congo. Nasceu no antigo Reino do Congo e foi trazida para o Brasil como escravizada na segunda metade do século XVI.
Na primeira vez que um religioso da Santa Inquisição foi enviado ao Brasil colonial, em 1591, foi denunciada pelo português Matias Moreira. Entre seus 'crimes' estavam a orientação homossexual e a maneira de se vestir. De acordo com as pesquisas do antropólogo Luiz Mott, professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e fundador do Grupo Gay da Bahia, a denúncia afirmava que Manicongo "tem fama, entre os negros desta cidade, que é sodomita".
"Para fugir da sentença de morte, precisou negar sua identidade e adotar o estilo de vida masculino, além de ser forçada a conviver com o desprezo e a violência da sociedade da época. Durante séculos, foi registrada como homossexual por historiadores, até sua identidade feminina ser resgatada", disse Sayonara Nogueira, presidente do Instituto Brasileiro Trans de Educação, em entrevista à Deustche Welle .
Dona Beja na tela da Band
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A partir da segunda semana de março, a novela irá ao ar todas as quintas e sextas-feiras , às 23h, com um episódio por dia, logo depois do Melhor da Noite, que passa a ocupar a faixa das 22h20.
O enredo faz uma viagem a 1815, no município de Araxá (MG) , onde Ana Jacinta mora com o avô depois de perder a mãe e nunca ter conhecido o pai biológico. Romântica e apaixonada por Antônio Sampaio, a jovem vê tudo desmoronar ao ser sequestrada pelo ouvidor do rei, obcecado por sua beleza.
Anos mais tarde, ela retorna à sua terra natal como uma senhora rica e poderosa e funda um bordel, convertendo a própria sexualidade em um instrumento de progressão socioeconômica. Para materializar esse universo, uma cidade cenográfica de 1.710 m² foi construída no Rio de Janeiro, somada à confecção de mais de 3 mil peças de figurino desenvolvidas especificamente para o projeto.
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