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"Não tem clima de enterro", diz diretor sobre derrota do Brasil no Oscar

Apesar da ausência de estatuetas, equipe de O Agente Secreto exalta a ocupação histórica do espaço e a força do cinema nacional; festa no Recife e aplausos em Hollywood consolidam novo patamar para o audiovisual do país

Júlia Cabral

JÚLIA CABRAL

16/03/2026 • 03:53 • Atualizado em 16/03/2026 • 03:53

O Agente Secreto
O Agente Secreto - Foto: Victor Jucá/Divulgação "O Agente Secreto"

A noite do Oscar 2026 terminou sem que o Brasil levasse para casa a tão sonhada estatueta de Melhor Filme Internacional , mas o sentimento nos bastidores da transmissão da Band e nas ruas de Pernambuco estava longe da decepção. O cineasta Gregório Graziosi, integrante da equipe deO Agente Secreto, sintetizou o espírito da comitiva brasileira ao afirmar categoricamente que "não tem clima de enterro". Para ele, a presença de uma obra falada em português entre os principais indicados de uma premiação que historicamente resiste a legendas é, por si só, um triunfo excepcional que deve ser celebrado.

O filme de Kleber Mendonça Filho chegou ao Dolby Theatre amparado por uma campanha internacional avassaladora e pelo reconhecimento de publicações influentes como aVariety, que apontou o longa como o favorito moral de muitos críticos e votantes. A interpretação intimista e visceral de Wagner Moura, aplaudida de pé em festivais como Cannes e o Globo de Ouro, foi celebrada como uma das mais sofisticadas da temporada. Graziosi destacou que este é o momento de o público brasileiro reencontrar a obra, seja nas salas de cinema ou no streaming, para compreender a densidade de um projeto que furou a bolha da indústria norte-americana e se tornou parte intrínseca da cultura popular.

Enquanto os envelopes eram abertos em Los Angeles, o Cinema São Luís, no Recife, transformava a expectativa em Carnaval. Bonecos gigantes de Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho ganharam as ruas ao som de frevo, provando que o filme já havia conquistado o seu prêmio mais valioso: a conexão profunda com a identidade brasileira. A cantora Maira Clara, que acompanhou a festa em Pernambuco, reforçou que o cinema é vida e resistência, e que a mobilização em torno deO Agente Secretorepresenta um marco de visibilidade que o país só experimentou poucas vezes em sua história.

A análise técnica da noite sublinhou que a vitória de concorrentes internacionais passa por fatores que transcendem a qualidade artística, envolvendo pesados investimentos de marketing e o perfil do corpo votante da Academia. No entanto, o saldo para o Brasil é de consolidação. O país demonstrou que possui uma indústria capaz de entregar excelência técnica e narrativa com sotaque local e impacto universal. Como bem resumiu a mesa de especialistas, a semente plantada por esta safra de filmes recuperou a autoestima do setor, transformando o "quase" na certeza de que o cinema nacional retomou, definitivamente, o seu lugar de destaque no cenário mundial.

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