
A atriz Christiane Torloni, que está em cartaz com a peça "Dois de Nós" em São Paulo, contou que demorou a acreditar que seria convidada para participar de uma peça com o amigo Antônio Fagundes. No Do Bom e Do Melhor, ela celebrou a parceria com o ator, de quem é amiga há 45 anos.
"Eu fui para Portugal e estava com um texto de um projeto que vai chegar, de Maria Adelaide Amaral, quando toca o telefone e achei que era um golpe", contou. Segundo ela, Fagundes ainda insistiu no contato para conseguir falar com Torloni .
"Aí veio mensagem, num perfil horroroso, aí manda mensagem de áudio, eu achando que era um cara imitando o Fagundes. Até que ele me liga de novo e diz que 'era um texto incrível'. Eu li e era isso, o cosmos fala, o texto é muito bom", disse.
Na Rádio Bandeirantes, ela também contou que a peça é parte de uma promessa feita pelos dois. "A primeira vez que nos encontramos em cena, foi em um seriado chamado 'Amizade Colorida', há 45 anos atrás e teve um 'match'. Eu já acompanhava a carreira do 'Fafá', quando eu vi a primeira vez, eu falei que ia trabalhar com ele. Daí quando nos encontramos nesse seriado foi incrível, fizemos uma jura de amor: 'Vamos fazer teatro juntos?'. Demorou 44 anos", contou.
Peça quebra imagem de 'macho alfa'
Torloni comentou que a peça também quebra a imagem de que o homem precisa ser o 'durão', sem poder chorar ou ter conversas difíceis. Para ela, é importante 'reeducar' o machismo latino-americano. "Aquilo que você olhava há 50 anos atrás e falava: 'Ai que macho', você para e pensa: 'Como você tem essa estatística de feminicídio ?'", disse.
A atriz, que foi mãe de dois filhos, disse que sempre pensou em criar os meninos fora das amarras do machismo. "Eu sempre pensei nisso, que estava criando dois homens para encontrarem um amor, livre desse peso de que o homem não pode chorar, tem que brigar e hoje vemos homens armados até os dentes, matando mulheres, não aceitando uma conversa franca e essa peça mostra que as coisas podem ser ditas", afirma.
"Os homens se sentem acolhidos, porque esse peso de 'ser, falar, ter' é insuportável. E a mulher que tem que ser a grande mulher ao lado, pelo amor de Deus. Essa geração que vai ver o espetáculo, mais jovem, é lindo", pontuou.
Peça ‘Dois de Nós’
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