Carnaval

Carnaval 2026: Beija-Flor irá desfilar sem Neguinho pela 1ª vez em 50 anos

O intérprete anunciou sua aposentadoria em novembro de 2024 e o Carnaval de 2025 marcou sua despedida da avenida

Da redação

DA REDAÇÃO

12/02/2026 • 12:49 • Atualizado em 12/02/2026 • 12:49

Neguinho da Beija-Flor
Neguinho da Beija-Flor - Foto: Reprodução/Instagram/neguinhodabeijafloroficial

O Carnaval de 2026 será o primeiro em quase meio século sem a voz de Neguinho da Beija-Flor à frente do carro de som da escola de Nilópolis . Ícone do samba e do Carnaval carioca, o intérprete oficial se despediu do posto após o desfile de 2025, encerrando um ciclo iniciado oficialmente em 1976.

O anúncio da aposentadoria foi feito em novembro de 2024 . À época, a Beija-Flor informou que o desfile de 2025 marcaria a despedida profissional de Luiz Antônio Feliciano Marcondes, o Neguinho da Beija-Flor, então com 75 anos. Em nota, a agremiação destacou que a saída seria apenas do cargo de intérprete oficial e afirmou que ele “é, e sempre será, a essência da Beija-Flor”.

A despedida ocorreu em um desfile carregado de simbolismo . Além da homenagem ao mestre Laíla, figura histórica da escola, a apresentação teve tom de celebração à trajetória de um dos nomes mais longevos do Carnaval brasileiro.

Uma trajetória que atravessa gerações

Neguinho chegou à Beija-Flor em 1975, então conhecido como “Neguinho da Vala”. O convite partiu do presidente de honra Anísio Abraão David, que também sugeriu o nome artístico que se tornaria marca registrada. A estreia oficial como intérprete aconteceu em 1976, com o samba-enredo “Sonhar com Rei dá Leão”.

Desde então, sua voz conduziu a escola em desfiles que se tornaram históricos. Ao longo da carreira, acumulou 14 títulos pelo Grupo Especial, seis Estandartes de Ouro e mais de 50 anos dedicados ao samba. Entre os sambas que marcaram época estão “Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia” (1989), “A Criação do Mundo na Tradição Nagô” (1978), “O Mundo É Uma Bola” (1986), “O Mundo Místico dos Caruanas nas Águas do Patu-Anu” (1998), “A Saga de Agotime, Maria Mineira Naê” (2001), “Áfricas – Do Berço Real à Corte Brasiliana” (2007) e “Monstro É Aquele que não Sabe Amar” (2018).

O tradicional grito de guerra — “Olha a Beija-Flor aí, gente!” — tornou-se um dos momentos mais aguardados na Marquês de Sapucaí e passou a ser indissociável da identidade da escola.

Momentos marcantes e superação

Ao longo da trajetória, Neguinho protagonizou episódios que extrapolaram a avenida. Em 2009, casou-se com Elaine Reis na própria Sapucaí, antes do desfile da Beija-Flor, em cerimônia que teve como padrinhos o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama Marisa Letícia.

Em 2008, enfrentou um câncer no intestino. Mesmo durante o tratamento, manteve compromissos profissionais e seguiu à frente do carro de som, tornando-se símbolo de resistência e dedicação à escola.

Além do Carnaval, construiu carreira com discos e apresentações pelo Brasil e no exterior, sempre associado à imagem da Beija-Flor.

Um novo capítulo para a escola

Sem Neguinho no microfone oficial pela primeira vez desde os anos 1970, a Beija-Flor inicia em 2026 um novo capítulo em sua história. A ausência de uma das vozes mais emblemáticas do Carnaval impõe o desafio de manter a identidade sonora da agremiação ao mesmo tempo, em que abre espaço para renovação.

A aposentadoria do intérprete encerra uma era na Sapucaí. Para muitos torcedores e amantes do samba, o Carnaval de 2026 não será apenas mais um desfile: será o marco simbólico de uma transição histórica para a azul e branca de Nilópolis.

Newsletter Notícias

Inscreva-se na nossa newsletter e receba as noticias mais importantes do dia direto no seu e-mail.

Selecione os seus temas favoritos: