Carnaval

Arranco, Império e Porto da Pedra são destaques no 2º dia da Série Ouro

Noite ainda teve correria para finalizar o desfile e acidente que deixou uma pessoa gravemente ferida

Da redação

DA REDAÇÃO

15/02/2026 • 09:18 • Atualizado em 15/02/2026 • 09:18

Arranco, Império Serrano e Porto da Pedra foram os destaques da segunda e última noite da Série Ouro do carnaval do Rio de Janeiro em 2026. As oito escolas restantes a se apresentarem na Sapucaí homenagens para personalidades, como Conceição Evaristo e Palhaço Xamego e sobre temas sociais, como a prostituição.

União de Maricá e Em Cima da Hora também contaram suas histórias entre a noite de sábado (14) e a manhã de domingo (15). A escola de Maricá teve problemas na Sapucaí e terminou o desfile com um grave incêndio que terminou em acidente e três feridos, sendo um gravemente. A Em Cima da Hora, por sua vez, terminou o desfile quase atrasada. Agora, as escolas esperam o resultado da apuração.A União de Maricá, inclusive, perdeu 0,2 décimos por terminar o desfile dois minutos atrasada e pode se complicar na hora da apuração.

Botafogo Samba Clube

A escola da estrela solitária abriu o segundo dia com o enredo “O Brasil que floresce em arte” , em homenagem a Roberto Burle Marx, paisagista e criador da icônica calçada da Avenida Atlântica, em Copacabana. Pela primeira vez, a escola apresentou um tema que não fosse ligado ao futebol.

A escola fez um desfile seguro, visualmente impactante e com uma porção de destaques, como os carros alegóricos impecavelmente acabados, mas um detalhe em específico chamou a atenção: a ala das crianças, “Guardiã da Biodiversidade”, veio vestida de joaninhas brancas e pretas -- um pedido da diretoria para tentar “driblar” o uso do vermelho e preto, cores do rival Flamengo.

Em Cima da Hora

A azul e branca de Cavalcanti apresentou o enredo “Salve todas as Marias - Laroyê, Pombagiras!” , exaltando a espiritualidade e a força das entidades femininas nas religiões de matriz africana. A proposta levou à Sapucaí um desfile marcado por simbolismo, fé e resistência cultural.

No começo, tudo parecia que daria certo para a escola suburbana, mas os contratempos começaram a surgir. Uma das alegorias teve problemas para entrar na avenida, abrindo o primeiro buraco. O segundo veio quando a bateria enfrentou dificuldades para entrar no segundo recuo.

Com os problemas, a escola precisou acelerar o passo no trecho final da Sapucaí para não estourar o tempo, o que pode afetar a nota de evolução. Apesar disso, a agremiação é uma das candidatas a brigar pelo acesso.

Os destaques ficam com o samba e com o último carro, um protesto nada silencioso contra a intolerância religiosa e os casos de vandalismo contra terreiros.

Arranco

A escola do Engenho de Dentro chegou à Marquês de Sapucaí reafirmando, na prática, o protagonismo feminino. Dentre todas as agremiações da Série Ouro e do Grupo Especial, é a única a ter uma mulher no comando do carnaval – a carnavalesca Annik Salmon – e também entrou a história com Laísa, a primeira mulher no papel de mestre de bateria na avenida .

O Arranco apresentou o enredo “A Gargalhada é o Xamego da Vida” , que conta a história de Maria Eliza Alves dos Reis, considerada a primeira mulher palhaça do Brasil. Em uma época em que mulheres eram proibidas de exercer a função, ela se vestia de homem para poder se apresentar e levar alegria ao público.Ficam com os destaques a bateria da Mestra Laísa, a afinação e timbre de Pâmela Falcão na interpretação do samba e as fantasias das alas e o acabamento dos carros, por mais que fossem menores se comparadas aos padrões das outras agremiações. Deixou a avenida como candidata ao título.

Império Serrano

A Verde e Branco exaltou a escritora Conceição Evaristo, autora de “Ponciá Vicêncio”, “Olhos d’Água” e “Becos da Memória” e criadora do conceito de “escrevivências” no enredo “Ponciá Evaristo, Flor do Mulungu” .

A presença da própria Conceição como destaque no abre-alas foi o grande destaque da passagem da Império pela avenida, aliado a sua mais famosa frase, “a gente combinamos de não morrer”, cantado a plenos pulmões na Marquês de Sapucaí.

A evolução é o quesito que pode comprometer a escola. O Império Serrano só não passou pelo portão depois do tempo previsto porque correu na fase final da avenida. Não perdeu tempo, mas pode perder alguns décimos de nota.

União de Maricá

A escola de Maricá fez festa para sua terceira participação na Sapucaí e vinha como forte candidata ao título. O enredo, “Berenguendéns e Balangandãs” , que abordou a história da joalheria usada por negros no Brasil colonial.

O samba estava na ponta da língua dos foliões que deixaram a Região dos Lagos para acompanhar a Vermelho e Branca na avenida, mas uma tragédia no fim do desfile manchou toda a passagem. Uma alegoria sofreu um incêndio, ficou presa no portão final e, no meio da confusão, 3 pessoas foram feridas, sendo um caso mais grave.

Quando o incêndio começou, os bombeiros agiram rapidamente e evitaram que o fogo se espalhasse. Mas o carro precisava ser retirado rapidamente, para cumprir o prazo de tempo. Muitos integrantes da escola foram empurrá-lo e, neste momento, aconteceu o acidente mais grave: um homem sofreu uma fratura exposta na perna direita.

Unidos do Porto da Pedra

A Porto da Pedra levou à Sapucaí o enredo “Das Mais Antigas do Mundo, o Doce e Amargo Beijo da Noite”. A escola apresentou uma proposta com enfoque social, explorando a trajetória histórica das trabalhadoras sexuais e os debates em torno de direitos e reconhecimento.

O desfile construiu a narrativa por meio de alegorias, fantasias e coreografias que representaram diferentes períodos e contextos ligados ao tema. A apresentação também fez referência a personagens e figuras associadas à ampliação da visibilidade e da representatividade da categoria.

Com a proposta, a Porto da Pedra integrou a programação da noite na Sapucaí, mantendo a disputa da Série Ouro e a expectativa de público e jurados no Carnaval carioca.

Unidos da Ponte

A Unidos da Ponte apresentou o enredo “Tamborzão – O Rio é Baile! O Poder é Black!”. A escola levou para a avenida uma proposta que coloca o funk como elemento central da narrativa.

O desfile abordou o ritmo como manifestação cultural nascida nas comunidades do Rio de Janeiro, destacando sua dimensão artística, social e histórica. Alegorias, fantasias e coreografias exploraram referências aos bailes e à construção da identidade ligada ao movimento.

Com a apresentação, a Unidos da Ponte integrou a programação da noite, mantendo a disputa da Série Ouro e a expectativa do público e dos jurados no Sambódromo.

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