Jornalismo

Artemis II: de 8 aviões a 5.000 graus, os números gigantes da volta à Lua

Missão da Nasa usa foguete SLS e sistemas extremos para garantir ida e retorno seguros no espaço profundo

Da redação

DA REDAÇÃO

31/03/2026 • 19:52 • Atualizado em 31/03/2026 • 19:52

A Artemis II, viagem tripulada do programa lunar da Nasa em mais de 50 anos , deve ser lançada a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, nesta quarta-feira (1º). O voo usará o foguete superpesado SLS (Space Launch System) e uma infraestrutura inédita em solo e em órbita para gerar potência suficiente na subida e suportar temperaturas extremas na volta.

Para alimentar o SLS, a agência modernizou toda a base da Plataforma 39B. O destaque é um novo tanque esférico de hidrogênio líquido, com capacidade para armazenar 1,25 milhão de galões (cerca de 4,7 milhões de litros) de propelente criogênico utilizável.

Segundo a Nasa, essa estrutura é hoje a maior esfera de hidrogênio líquido do mundo e fornece o volume necessário para que o foguete escape da atração gravitacional da Terra.

O SLS é o mais potente veículo de lançamento já construído para missões tripuladas de exploração do espaço profundo. Com múltiplos estágios e propulsores laterais, ele precisa gerar, em poucos minutos, a energia equivalente ao consumo de uma grande cidade para colocar a nave Orion e sua tripulação na trajetória rumo à vizinhança lunar.

A força bruta dos motores RS-25: de aviões a cidades inteiras

No centro desse desempenho estão quatro motores RS-25, herdados e aperfeiçoados a partir da era dos ônibus espaciais. Juntos, eles produzem empuxo suficiente para manter oito aviões comerciais Boeing 747 em voo contínuo, operando com alta eficiência mesmo nas condições extremas da decolagem.

A energia liberada por esse conjunto de motores equivale a iluminar uma rua residencial com mais de 1,3 milhão de quilômetros de extensão.

Em outras palavras, seria possível traçar uma estrada de postes de luz que saísse da Terra até a Lua, voltasse e ainda desse 15 voltas completas ao redor do planeta, apenas com a potência gerada pelo SLS no momento do lançamento.

O desafio do calor: enfrentando temperaturas extremas na volta

Se a subida exige força bruta, o retorno concentra o momento mais tenso para a tripulação. Ao se aproximar da Terra, a cápsula Orion precisa desacelerar contra a atmosfera a cerca de 30 vezes a velocidade do som.

O ar comprimido à frente da nave atinge quase 5.000 graus Fahrenheit, aproximadamente 2.760 graus Celsius, algo em torno da metade da temperatura da superfície do Sol.

Para suportar esse ambiente, a parte inferior da Orion traz o maior escudo térmico ablativo já construído para uma nave tripulada, com 16,5 pés (cerca de 5 metros) de diâmetro.

O material do escudo queima e se desprende de forma controlada, levando embora o calor e mantendo o interior em condições seguras para os astronautas até que a velocidade caia a patamares manejáveis.

Pouso de precisão: como paraquedas freiam uma nave a 40.000 km/h

Na entrada na atmosfera, a Orion chega a cerca de 25.000 mph, algo em torno de 40.000 km/h. Só o atrito com o ar reduz essa velocidade para cerca de 325 mph (aproximadamente 520 km/h).

A partir daí, entra em ação um sistema de 11 paraquedas, que assumem a etapa final da frenagem antes do pouso no oceano.

Os paraquedas somam mais de 36.000 pés quadrados de tecido, quase 3.350 metros quadrados, e se abrem em sequência rigorosamente cronometrada, dos menores aos principais.

Essa coreografia faz a cápsula desacelerar até por volta de 20 mph (cerca de 32 km/h), velocidade considerada adequada para um contato controlado com as águas do Oceano Pacífico, encerrando uma jornada que começa com potência extrema e termina em um pouso de precisão.

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