BandNews FM Rio

Justiça mantém prisão de MC Poze por apologia ao crime e ligação com facção

Funkeiro é acusado de cooptar jovens para o tráfico e fazer shows em áreas dominadas pelo CV

Da redação

DA REDAÇÃO

29/05/2025 • 20:18 • Atualizado em 29/05/2025 • 20:18

Mc Poze do Rodo
Mc Poze do Rodo - Foto: Reprodução/Redes Sociais

A Justiça do Rio mantém a prisão do cantor MC Poze do Rodo. O funkeiro passou por Audiência de Custódia no Presídio de Benfica, na Zona Norte do Rio. A sessão aconteceu na tarde desta quinta-feira (29).

Marlon Brandon Coelho Couto Silva foi preso durante a manhã por apologia ao crime e por envolvimento com a facção criminosa. A Polícia Civil acredita que o artista era usado como instrumento para cooptar menores para o Comando Vermelho, como explica o subsecretário Carlos Oliveira

"Essa é uma investigação contra pessoas que usam a arte e a cultura como arma, como instrumento de coopitação de jovens. Esses elementos se misturam ao meio social, influenciam a cultura, a linguagem local, os costumes locais, numa armadilha fazendo com que a mão de obra dessas organizações criminosas não falte."

O cantor foi localizado por agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes na mansão dele no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio.

De acordo com as investigações, o cantor realiza shows exclusivamente em áreas dominadas pelo grupo, com a presença de traficantes fortemente armados, que fazem a "segurança" do artista e do evento.

Na Cidade da Polícia, MC Poze do Rodo negou qualquer tipo de envolvimento com o crime e disse estar sofrendo perseguição.

"“Vocês sabem que não (tenho envolvimento) e ficam fazendo essas perguntas bobas. Quem (a polícia) tinha que pegar está lá no morro, não sou eu, não. Essa implicância comigo aí já é de muito tempo. Manda fazer isso lá com os filhos de desembargadores. Não é esse o tratamento (com eles)."

A investigação identificou que o repertório das músicas entoadas por ele faz clara apologia ao tráfico de drogas, ao uso ilegal de armas de fogo e incita confrontos armados entre facções rivais.

Para os investigadores, os eventos são estrategicamente usados pela facção para aumentar os lucros com a venda de entorpecentes, como citou o secretário da Polícia Civil Felipe Curi.

"A gente vem percebendo que o crime organizado atua em duas vertentes. Eles atuam na vertente do crime organizado propriamente dito, mas também eles atuam de um outro lado. Eles atuam do campo informacional. Eles têm cantores, influenciadores digitais criando uma falsa narrativa de que a ação deles é que é o exemplo de que o crime é uma necessidade social. As músicas têm um alcance incalculável e muitas das vezes elas são muito mais lesivas do que o tiro de um fuzil disparado por traficante."

Um desses eventos foi realizado no dia 19 de maio deste ano, na comunidade da Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio. O show ocorreu poucas horas antes da morte do policial civil José Antônio Lourenço, integrante da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), em uma operação policial na comunidade.

A Polícia Civil reforça que as letras extrapolam os limites constitucionais da liberdade de expressão e artística. As investigações continuam para identificar outros envolvidos e os financiadores diretos dos eventos.

Newsletter Notícias

Inscreva-se na nossa newsletter e receba as noticias mais importantes do dia direto no seu e-mail.

Selecione os seus temas favoritos:

Topicos relacionados