A proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 , uma das principais bandeiras do governo para este ano, enfrenta uma forte articulação da oposição para ser "desidratada" no Congresso Nacional .
A estratégia, que já circula nos bastidores, é substituir a mudança imediata por uma transição tão lenta e gradual que seus efeitos só seriam sentidos plenamente em 2034, bem depois do término de um eventual segundo mandato do presidente Lula. A informação é da colunista Mônica Bergamo, da BandNews FM.
A relatoria do projeto na Câmara coube a um deputado da oposição, Paulo Azi (União-BA), partido que, junto com o PL, se posiciona contra a ideia original.
Segundo Mônica, a manobra visa atender à pressão do setor empresarial sem ser alvo de uma rejeição popular em um ano eleitoral.
Proposta de transição em uma década
A discussão atual gira em torno de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que busca reduzir a jornada de trabalho de 44 para 36 horas semanais. A contraproposta da oposição, no entanto, sugere uma redução de apenas uma hora por ano.
A cada ano subsequente, mais uma hora seria reduzida, fazendo com que o objetivo final de 36 horas semanais só fosse alcançado em 2034. A tática, na prática, adia qualquer mudança significativa para um futuro distante.
Segundo Mônica, mesmo que o objetivo final da proposta só seja atingido em 2034, a análise é de que o Palácio do Planalto poderá afirmar que lutou pelos trabalhadores, mas foi barrado por uma oposição aliada aos "ricos" e empresários.
Apesar da reação pública esperada por parte do Executivo e de parlamentares de esquerda, a margem de manobra no Congresso por governistas é considerada pequena. A oposição, somada a bancadas ligadas ao empresariado, detém força suficiente para impor a versão deles do projeto. Com isso, a avaliação é que o governo será obrigado a negociar, pois não possui os votos necessários para aprovar o fim imediato da escala 6x1.
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