Apesar da desconfiança de que o a cordo entre Mercosul e União Europeia pode ter ‘subido no telhado’ , a colunista de economia da BandNews FM Juliana Rosa avalia que a negociação, que se estende por mais de duas décadas, ainda tem chances de ser concluída.
Nesta sexta-feira (19), ela destacou que o pacto segue vivo devido a fortes pressões políticas e interesses estratégicos para ambos os blocos .
Segundo Juliana Rosa, um sinal de que o acordo não está descartado foi a recente ligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni. Na conversa, Meloni teria pedido mais tempo para convencer os agricultores italianos, que fazem parte de um dos setores mais resistentes ao tratado na Europa.
"O gato ainda não subiu no telhado. O gatinho está ali do lado do telhado, mas ainda tem chance desse acordo ser fechado", afirmou a colunista.
Acordo com o Mercosul e competitividade global
De acordo com a análise, para o Brasil, o acordo representa uma oportunidade crucial de inserção competitiva no cenário global. Juliana Rosa explica que o País ainda é considerado uma economia fechada e a participação em blocos comerciais fortalece o potencial de negociação e crescimento.
Um dos principais benefícios diretos para a população brasileira, segundo ela, seria o acesso a uma gama maior de produtos importados a preços mais acessíveis. "Isso é fundamental para o país, tudo muito caro aqui no Brasil. Então, principalmente a população de mais baixa renda não tem acesso a muitos produtos", pontuou.
Outro ponto fundamental destacado por Juliana Rosa é a atração de investimentos. Com a falta de "fôlego público" para impulsionar o crescimento de forma sustentada, o capital estrangeiro, especialmente o europeu, seria vital para o desenvolvimento da infraestrutura do país, como estradas e ferrovias.
Impacto no agronegócio e cenário global
Para o agronegócio brasileiro, embora as cotas de exportação possam parecer pequenas em um primeiro momento, o impacto relativo é significativo. Juliana Rosa utilizou uma analogia para ilustrar o potencial: a cota adicional de carne, por exemplo, equivaleria a "um hambúrguer a mais por ano para um europeu".
"É muito pouco que a gente vai poder exportar mais. Mas, em termos relativos, ele vai fazer muita diferença", analisou. Com o acordo, o Mercosul passaria a ser responsável por 70% de toda a carne que a Europa importa, um salto considerável em relação aos 40% atuais.
Juliana Rosa também aponta que o interesse europeu no acordo vai além das questões comerciais, sendo um movimento geopolítico estratégico. Para a Europa, o pacto é visto como uma forma de garantir parceiros comerciais confiáveis e fortalecer o bloco.
Ela explica que, desde o Brexit, o continente europeu enfrenta um risco de fragmentação e enfraquecimento. Nesse contexto, a consolidação de alianças comerciais é uma maneira de conter o avanço de influências como a da Rússia. "O maior risco da Europa é de fragmentação. [...] A intenção ali do Putin é tomar conta de maiores espaços ali no continente", ressaltou.
Portanto, na visão da jornalista, embora o acordo enfrente resistências, especialmente de setores como o agrícola na França e na Itália, a pressão política e os benefícios estratégicos de longo prazo mantêm a negociação em pauta.
"Tem muita coisa envolvida, então o gato ainda não subiu no telhado. Pode subir, mas o que eu tenho ouvido é que tem muita pressão política também para aprovar esse acordo", concluiu.
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