
Mais de cem cursos de medicina no Brasil podem sofrer punições após obterem notas consideradas insatisfatórias no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica, o Enamed. O balanço, divulgado nesta segunda-feira (19) pelo Ministério da Educação (MEC), aponta que cerca de 30% dos 351 cursos avaliados tiveram conceitos 1 e 2, os mais baixos da escala. As instituições terão um prazo de 30 dias para se defender.
As faculdades com desempenho insuficiente enfrentarão medidas regulatórias que incluem a suspensão de novos processos seletivos, a redução de vagas e a suspensão da participação em programas federais, como o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil). Ao todo, 107 cursos tiveram notas 1 e 2, mas as sanções serão aplicadas inicialmente a 99 deles, que pertencem ao sistema federal de ensino.
O que é o Enamed?
O Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) é uma prova anual obrigatória para estudantes concluintes de medicina, criada pelo MEC para avaliar a qualidade do ensino médico no país. A avaliação substitui o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) para a área de medicina e também serve como processo seletivo para programas de residência médica. O objetivo é verificar se os futuros médicos estão adquirindo as competências necessárias e, ao mesmo tempo, fornecer dados para a melhoria dos cursos.
A prova é composta por 100 questões de múltipla escolha que abrangem as principais áreas da prática médica, como Clínica Médica, Cirurgia Geral, Pediatria e Saúde Coletiva. Além dos estudantes concluintes, médicos já formados que desejam ingressar em programas de residência de acesso direto também podem realizar o exame.
Próximos passos e penalidades
Após a divulgação dos resultados, as instituições de ensino com notas insatisfatórias serão notificadas e terão um prazo para apresentar um protocolo de melhorias. O ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que o objetivo da avaliação não é "prejudicar ninguém", mas sim monitorar e garantir a qualidade do ensino.
As punições serão aplicadas de forma gradual. Segundo o MEC, dos 99 cursos que passarão por supervisão:
Oito cursos não poderão mais receber novos alunos.
13 cursos terão que reduzir o número de vagas pela metade.
33 cursos terão que cortar 25% das vagas.
45 cursos ficarão impedidos de aumentar o número de vagas.
Uma entidade que representa universidades particulares chegou a entrar na Justiça para barrar a divulgação dos resultados, alegando falhas no processo, mas o pedido foi negado. A Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) e a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) questionaram os números e o "uso punitivo" do exame.
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