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Juliana Rosa: Petróleo cai após anúncio de cessar-fogo

Apesar de queda nos preços, incertezas no mercado internacional e o cenário doméstico impedem a redução do valor dos combustíveis para o consumidor final

Da redação

DA REDAÇÃO

08/04/2026 • 13:18 • Atualizado em 08/04/2026 • 13:18

A cotação internacional do petróleo despencou após o anúncio de uma trégua de duas semanas nos ataques entre os Estados Unidos e o Irã , mas o alívio não foi sentido nas bombas de combustível do Brasil. Fatores como a insegurança sobre a durabilidade do acordo e a instabilidade no cenário político e econômico interno criam um ambiente de desconfiança que mantém os preços elevados.

Segundo a colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa , o mercado opera com base em perspectivas. Embora o petróleo tipo WTI tenha caído de US$ 112 para US$ 93 e o barril tipo Brent, referência para a Petrobras, de US$ 110 para US$ 92, a sensação de risco ainda é predominante.

Insegurança no mercado

A principal razão para a manutenção dos preços altos é a desconfiança sobre o futuro. O acordo de cessar-fogo tem duração de apenas duas semanas, e não há garantias de que ele se tornará definitivo. A reabertura do Estreito de Ormuz , por onde passa 20% do comércio mundial de petróleo, é um sinal positivo, mas o mercado segue cauteloso.

Essa incerteza faz com que distribuidores e detentores de combustível hesitem em vender os estoques. A lógica é que, se o conflito for retomado, os preços podem voltar a subir drasticamente. Com isso, muitos preferem segurar o produto, o que diminui a oferta disponível e, consequentemente, pressiona os preços para cima.

Cenário interno agrava a situação

De acordo com Juliana, além da instabilidade global, o ambiente interno brasileiro contribui para a alta dos combustíveis. Medidas do governo para controlar os preços são vistas como insuficientes, e a percepção de interferência na Petrobras gera ainda mais insegurança jurídica e comercial no setor.

A recente demissão de um diretor da estatal, após um leilão de gás que desagradou o governo, e o temor de multas para as distribuidoras criam um cenário onde as empresas preferem não arriscar. A colunista aponta que o resultado prático é a redução da oferta de combustível no mercado, com relatos de falta de produto em algumas regiões, o que alimenta a espiral de aumento de preços.

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