A primeira votação do Conclave terminou com fumaça preta na Capela Sistina – sinal de que os cardeais ainda não chegaram a um consenso sobre o novo Papa. Em entrevista à BandNews FM , a teóloga Alzirinha Souza, doutora em Teologia pela Universidade Católica de Leuven, na Bélgica, avaliou que essa indefinição inicial é natural e reflete a complexidade do Colégio de Cardeais, o mais numeroso e diverso da história da Igreja.
Ela lembra que o colégio não só cresceu em número – são 133 eleitores, 18 a mais que no último Conclave – mas também em diversidade geográfica. Muitos cardeais não se conheciam até agora. Há relatos de que os prelados têm usado crachás para facilitar a identificação entre eles.
Essa heterogeneidade, segundo a teóloga, representa um reflexo direto das reformas de Francisco, que priorizou uma Igreja mais representativa e descentralizada. Há cardeais de todos os continentes e até representantes de ritos orientais, como o caldeu e o malancar.
“Encontrar uma unanimidade em 133 pessoas de uma cultura e de um olhar sobre a igreja a partir da sua realidade, a partir das demandas que trazem, se fosse um consenso já seria difícil, imaginemos 133 pessoas vindo de países diversos, de culturas diversas e muitos deles a primeira vez que estão participando", disse a professora.
Apesar da pluralidade, Alzirinha avalia que há sinais de convergência. As congregações gerais realizadas antes do Conclave – nas quais os cardeais debatem livremente os rumos da Igreja – indicaram uma tendência de continuidade em relação às pautas de Francisco: reforma da Cúria Romana, combate aos abusos, economia e sinodalidade.A teóloga crê que a votação não se estenderá até o fim de semana. "Acredito que até sexta-feira já teremos um novo rosto para a Igreja”. Vale lembrar que serão duas votações por dia a partir desta quarta-feira (7) até sábado. Caso não haja um eleito, os votantes suspendem a eleição para ter um domingo de orações.
Apesar disso, Alzirinha reforçou que o desejo dos cardeais é evitar uma demora excessiva. “Eles sabem que estender demais esse processo pode transmitir a imagem de uma Igreja fragmentada. Por isso, acredito que até o fim da semana teremos um novo Papa”, pontuou.
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