BandNews FM

Fumaça preta no primeiro dia era prevista, mas novo Papa pode ser eleito até sexta, diz teóloga

Alzirinha Souza, doutora em Teologia, analisa os desafios da escolha do sucessor de Francisco e destacou o papel global do Colégio de Cardeais; primeira votação terminou em fumaça preta

Da redação

DA REDAÇÃO

07/05/2025 • 19:49 • Atualizado em 07/05/2025 • 19:49

A primeira votação do Conclave terminou com fumaça preta na Capela Sistina – sinal de que os cardeais ainda não chegaram a um consenso sobre o novo Papa. Em entrevista à BandNews FM , a teóloga Alzirinha Souza, doutora em Teologia pela Universidade Católica de Leuven, na Bélgica, avaliou que essa indefinição inicial é natural e reflete a complexidade do Colégio de Cardeais, o mais numeroso e diverso da história da Igreja.

Ela lembra que o colégio não só cresceu em número – são 133 eleitores, 18 a mais que no último Conclave – mas também em diversidade geográfica. Muitos cardeais não se conheciam até agora. Há relatos de que os prelados têm usado crachás para facilitar a identificação entre eles.

Essa heterogeneidade, segundo a teóloga, representa um reflexo direto das reformas de Francisco, que priorizou uma Igreja mais representativa e descentralizada. Há cardeais de todos os continentes e até representantes de ritos orientais, como o caldeu e o malancar.

“Encontrar uma unanimidade em 133 pessoas de uma cultura e de um olhar sobre a igreja a partir da sua realidade, a partir das demandas que trazem, se fosse um consenso já seria difícil, imaginemos 133 pessoas vindo de países diversos, de culturas diversas e muitos deles a primeira vez que estão participando", disse a professora.

Apesar da pluralidade, Alzirinha avalia que há sinais de convergência. As congregações gerais realizadas antes do Conclave – nas quais os cardeais debatem livremente os rumos da Igreja – indicaram uma tendência de continuidade em relação às pautas de Francisco: reforma da Cúria Romana, combate aos abusos, economia e sinodalidade.A teóloga crê que a votação não se estenderá até o fim de semana. "Acredito que até sexta-feira já teremos um novo rosto para a Igreja”. Vale lembrar que serão duas votações por dia a partir desta quarta-feira (7) até sábado. Caso não haja um eleito, os votantes suspendem a eleição para ter um domingo de orações.

Apesar disso, Alzirinha reforçou que o desejo dos cardeais é evitar uma demora excessiva. “Eles sabem que estender demais esse processo pode transmitir a imagem de uma Igreja fragmentada. Por isso, acredito que até o fim da semana teremos um novo Papa”, pontuou.

Newsletter Notícias

Inscreva-se na nossa newsletter e receba as noticias mais importantes do dia direto no seu e-mail.

Selecione os seus temas favoritos: