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Estrutura de Poder no Irã: Entenda as Funções do Líder Supremo e Presidente

Ex-embaixador do Brasil em Teerã explica funcionamento da república teocrática singular liderada pelo Aiatolá

Da redação

DA REDAÇÃO

28/02/2026 • 16:52 • Atualizado em 28/02/2026 • 16:52

Irã
Irã - Foto: Agência Brasil

A estrutura de poder no Irã representa um desafio para a compreensão ocidental, operando em um modelo híbrido que mescla instituições republicanas com uma teocracia islâmica. Eduardo Gradilone, ex-embaixador do Brasil no Irã e vice-presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior, explicou, em entrevista à BandNews FM, o funcionamento do poder no país.

No topo do sistema está o Líder Supremo, atualmente o Aiatolá Ali Khamenei, que detém a autoridade máxima sobre todas as decisões estratégicas do Estado, tanto na política interna quanto externa.

Abaixo dele, opera uma estrutura de governo convencional, chefiada pelo presidente da República, responsável pela administração cotidiana do país.

O Papel do Líder Supremo

O Aiatolá, ou Líder Supremo, é a figura mais poderosa do Irã, funcionando como chefe de Estado e líder religioso com um cargo vitalício.

Ele é escolhido pela Assembleia de Especialistas, um colegiado de 88 clérigos eleitos por voto popular.

Seus poderes são vastos: ele comanda as Forças Armadas, incluindo a Guarda Revolucionária, nomeia os chefes do Judiciário e da mídia estatal, e tem a palavra final sobre todas as principais políticas, podendo vetar decisões do presidente e do Parlamento.

Essa estrutura consolida o regime como uma teocracia, onde os preceitos religiosos se sobrepõem às instituições eleitas.

A Função do Presidente e do Governo

O presidente, eleito por voto popular para um mandato de quatro anos, atua como chefe de governo.

Sua principal responsabilidade é a gestão diária da administração pública, incluindo a nomeação de ministros e a elaboração do orçamento.

Apesar de ser a face do Irã na diplomacia internacional, seu poder é limitado e subordinado ao Líder Supremo.

Qualquer tentativa de reforma ou mudança significativa depende da aprovação da estrutura religiosa, que mantém o controle sobre as direções estratégicas do país.

A Guarda Revolucionária: O Braço Armado do Regime

Criada após a Revolução Islâmica de 1979 para proteger o regime, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) é uma força militar de elite que opera paralelamente às Forças Armadas convencionais.

Subordinada diretamente ao Líder Supremo, a guarda é um pilar de poder militar, com suas próprias forças terrestre, naval e aérea, além de um influente serviço de inteligência.

Com cerca de 125 mil a 150 mil membros, a IRGC não só atua na repressão interna e na defesa contra ameaças externas, mas também exerce considerável influência econômica e apoia grupos aliados na região, como o Hezbollah no Líbano e os Houthis no Iêmen.

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