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Calor, força G e mente afiada: como pilotos treinam para performar no automobilismo?

BandNews em Forma: preparação física no automobilismo

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12/09/2025 • 14:42 • Atualizado em 12/09/2025 • 14:42

O BandNews em Forma deste fim de semana recebeu o piloto da Stock Car Ricardo Maurício e o treinador Leandro Ono para explicar como é a preparação física no automobilismo, do controle do calor dentro do carro à tomada de decisão em alta velocidade.

Gravado na sala digital da Band, em parceria com o Google, o programa discutiu o aumento do interesse do público após o boom de buscas sobre gasto metabólico de pilotos e mostrou, na prática, por que performance na pista depende tanto do corpo quanto da cabeça.

Preparação física de pilotos: calor e frequência cardíaca

Segundo Leandro Ono, a cabine de um carro de turismo é uma “cápsula” quente: o macacão e os equipamentos antichama, somados ao calor do motor, elevam a temperatura interna e fazem o organismo trabalhar no limite. A frequência cardíaca média em uma corrida de Stock Car, descreve Ricardo Maurício, fica entre 150 e 155 bpm, oscilando nos momentos de disputa e ultrapassagem. O resultado é um desgaste comparável ao de uma meia maratona, com intensa contração muscular e alto estresse neuromuscular.

O piloto relata que, em provas longas, a perda de líquido pode chegar a 3 kg, dependendo do atleta e das condições climáticas. O efeito colateral mais comum é a dor de cabeça após a queda da adrenalina — um sinal claro de desidratação. Por isso, a rotina inclui hidratação prévia com água e eletrólitos e recuperação logo depois da bandeirada.

Treino cognitivo e ativação neural

Ono defende que a preparação não se limita à força e à resistência. O desempenho também exige tempo de reação, visão periférica, coordenação e tomada de decisão. Para simular o “caos” da corrida, ele combina exercícios funcionais (agachamento, estabilidade de core, movimentos simultâneos de membros superiores e inferiores) com estímulos cognitivos: troca de bexigas no ar, cones coloridos que pedem respostas diferentes, bolas luminosas com comandos mão-direita/mão-esquerda/duas mãos. A ideia é tirar o piloto da zona de conforto, mantendo precisão motora quando o corpo já está fadigado.

As apresentadoras Camila Hirsch e Isabela Mota destacaram ainda a ativação neural como rotina útil para qualquer praticante: pequenos blocos de cinco a sete minutos, com comandos simples (contas mentais combinadas a saltos laterais, exercícios de reflexo com objetos do dia a dia), deixam o cérebro “ligado” antes do treino, de uma reunião ou de uma apresentação.

Hidratação, perda de peso e alimentação

Dentro do carro, muitos pilotos evitam o sistema de hidratação por desconforto; por isso, a estratégia se concentra no antes e no depois da prova. A alimentação precisa ser leve e anti-inflamatória, para não “pesar” durante a corrida. Como o calor aumenta a frequência cardíaca, qualquer ganho de refrigeração — mesmo externo, fora da cabine — tende a ajudar, mas banhos imediatos de água fria antes de entrar no carro podem virar “sauna” e piorar a sensação térmica. O foco, dizem, é chegar à largada já bem hidratado e com o coração preparado para trabalhar em alta rotação.

Peso mínimo e lastro na Stock Car

A discussão também abordou as regras de peso. De acordo com Ricardo Maurício, as principais categorias fixam um peso mínimo piloto + banco, com o restante compensado por lastro. Na Stock Car, a referência é manter 85 kg na região do assento. Antigamente, havia mais liberdade para “distribuir” o lastro conforme o traçado; hoje, a regra é mais restritiva por segurança e padronização. A lógica nivela a disputa entre atletas de biotipos distintos e reforça que condicionamento e gestão de corrida fazem a diferença no resultado.

Jet lag, rotina mental e tecnologia

O jet lag existe e derruba o rendimento, alertou Ono: noites mal dormidas desorganizam hormônios e pioram o tempo de reação. Equipes de elite, como as da F1, contam com profissionais dedicados para sono, hidratação, alimentação e até ajuste de viseiras e capacetes, tentando reduzir o impacto de fusos. A rotina mental também entra no pacote: antes de alinhar no grid, vale visualizar ultrapassagens, defesas de posição e cenários críticos, para que a execução, na corrida, seja quase automática.

Na tecnologia, os dois lembraram que hoje se monitora batimentos e temperatura corporal com facilidade — um avanço em relação ao passado. Simuladores e óculos de realidade virtual ajudam, mas treino cardiovascular no mundo real segue central: Maurício adotou o ciclismo como pilar, por unir resistência e atenção contínua em percursos como Romeiros, algo que transfere concentração para a pista.

Estratégia na pista: administrar carro e corpo

O trecho final da conversa conectou preparo físico a gestão de pneus, freios e aderência. Em dias amenos, dá para arriscar mais desde o início; no calor intenso, o ritmo precisa ser medido para chegar forte no terço final, quando as decisões acontecem e o carro já está desgastado. Ricardo pontua que, às vezes, ceder momentaneamente a posição é o caminho para recuperar rendimento e passar no fim — tática que depende de lucidez, algo que só aparece quando corpo e mente estão frescos.

O episódio reforça que o automobilismo moderno exige atleta completo: condicionamento, cognição e cabeça fria para decidir em milésimos, dentro de um habitáculo quente e de alta carga física. “A alta performance é feita no detalhe”, resumiu Leandro Ono — detalhe que começa dias antes, no treino, e termina na última curva.

Texto gerado artificialmente e revisado por Band.com.br.

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