BandNews FM

Ilha do Combu tem empreendedores e chocolate, mostra BandNews FM

Cidade-sede do evento internacional tem dezenas de ilhas com paisagens deslumbrantes cortadas por barcos; ribeirinhos preservam a paz do local, vivem em casas de palafitas, mas não possuem saneamento básico

ISABELA MOTA, DE BELÉM

22/08/2025 • 16:46 • Atualizado em 22/08/2025 • 16:46

Para quase 40 mil pessoas de Belém o rio é a rua. A capital do Pará, cidade-sede da COP30 , tem dezenas de ilhas e, por ali, o principal meio de transporte são os barcos. E é dessa forma, entre as rotas fluviais, que turistas e moradores se locomovem e descobrem as belezas – e as surpresas – dessas localidades amazônicas.

A BandNews FM chegou até a Ilha do Combu por meio do 'popopô', um tradicional barco a motor usado pelos ribeirinhos para atravessar o rio Guamá . O nome é uma alusão onomatopéica ao ruído do motor do veículo. Na ilha, as casas são de palafitas, fincadas no rio, e a paisagem é deslumbrante.

Dona Nena e o chocolate da Ilha do Combu

Foi na Ilha do Combu que Dona Nena cresceu e virou empreendedora. Ela vive na ilha há mais de 60 anos e encontrou na própria cozinha uma nova fonte de renda. E já foi vista por grandes chefs como o paraense Thiago Castanho, um dos maiores nomes da gastronomia do Norte do país .

À BandNews FM , ela contou como surgiu a ideia de socar o cacau no pilão, prepará-lo e embalá-lo em folhas de árvore para a venda.

"A primeira reação da minha família foi que eu estava ficando doida porque aquilo não ia dar certo, que era um produto embrulhado na folha, que ninguém ia comprar, mas mesmo assim eu resolvi fazer"

Castanho, quando conheceu Dona Nena, pediu para que ela mantivesse o preparo do chocolate, ensinou a refinar o produto e, depois de 14 anos, ela é proprietária de uma fábrica de chocolates na ilha, que se tornou um dos endereços mais buscados pelos turistas.

Ribeirinhos reclamam de falta de saneamento básico e chegada de empreendimentos

Tudo na ilha é feito com barco e ou a pé, caminhando entre as construções de palafitas. O que torna a experiência uma verdadeira imersão em um pequeno pedaço da Amazônia, mas os ribeirinhos veem cada vez mais a necessidade de melhorias estruturais, como saneamento básico, uma obrigação do estado e da prefeitura de Belém.

Atualmente, a cidade-sede da COP30 tem apenas 20% da população com água e esgoto encanada e enfrenta desafios de moradia digna. Belém é a capital mais favelizada no Brasil.

Enquanto a cidade é um canteiro de obras a céu aberto , os ribeirinhos compram água em Belém e não tem esgoto tratado. A energia elétrica só chegou em meados de 2010.

"Nós moramos em cima da água, nós nos transportamos por meio da água, tem muita água, mas as crianças, as famílias aqui, não tem direito à água"

"A gente tem um poço artesiano, mas o poço não funciona como ele deveria. A água é muito suja mesmo. A gente não pode usar água do rio porque também é muito suja. A gente compra água de uma fonte que fica já na parte do continente", explica uma moradora.

A chegada de empreendimentos, que não pertencem aos ribeirinhos, e embarcações com turistas e música alta também é outro problema relatado pelos locais, que preferem o canto dos pássaros e o som das águas do Guamá.

O que é a COP30?

A COP30 acontece entre os dias 10 e 21 de novembro em Belém, considerada a porta de entrada para a Amazônia. É por meio das discussões que acontecem neste evento global que as autoridades dos países participantes devem tomar as decisões necessárias para implementar os compromissos assumidos no combate à mudança do clima.

Cerca de 50 mil pessoas são esperadas na capital paraense durante o mês do evento.

*Reportagem em texto editada por Rafaela Lara

Newsletter Notícias

Inscreva-se na nossa newsletter e receba as noticias mais importantes do dia direto no seu e-mail.

Selecione os seus temas favoritos: