
Na região de Curitiba, produtores cultivam até sete tipos de alface, entre elas a roxa, a lisa e a americana. Mas a variação de temperatura ao longo do ano segue como um dos maiores desafios da produção.
“Quando esquenta demais, precisamos molhar de três a quatro vezes por dia para não perder as folhas”, explica a produtora de hortaliças Soeli Lanhoso, que enfrenta os impactos diretos do clima no cultivo.
De acordo com a Embrapa, o Brasil produz cerca de 660 mil toneladas de alface por ano, sendo a folhosa mais consumida pelos brasileiros. A planta depende de temperaturas amenas e boa umidade, por isso a maior parte da produção se concentra nas regiões Sul e Sudeste.
Uma pesquisa recente da Embrapa, baseada em projeções do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), acendeu um alerta sobre o futuro da alface no Brasil, principalmente a cultivada ao ar livre.
Segundo o pesquisador Carlos Pacheco, os cenários futuros não são animadores. “Em ambos os cenários poderá haver diminuição da produtividade, com folhas secas e até inviabilidade da produção em algumas regiões”, afirmou.
As projeções indicam dois cenários: o mais otimista prevê aumento de 2 a 3 graus na temperatura média até 2100; já o mais pessimista estima elevação de até 4,3 graus, acompanhada do crescimento contínuo das emissões de gases de efeito estufa.
Para tentar minimizar os impactos, pesquisadores defendem medidas urgentes, como o desenvolvimento de plantas mais resistentes ao calor. A adoção de estufas e sistemas de controle de temperatura também deve se tornar indispensável.
“O cultivo protegido deverá ser uma tendência para o futuro”, destacou Pacheco.
Além da alface, outras hortaliças como couve-flor, brócolis, repolho e beterraba também podem ser afetadas pelas mudanças climáticas, segundo o estudo.
Newsletter Notícias
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as noticias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione os seus temas favoritos:
