Campinas e região

Exclusivo: O que se sabe sobre o furto de vírus de alto risco na Unicamp

Universidade Estadual de Campinas abriu sindicância e fonte relata à Band que material de risco nível 3 teria sido levado ilegalmente para outro laboratório por professora

Da redação

DA REDAÇÃO

24/03/2026 • 21:07 • Atualizado em 24/03/2026 • 21:07

Unicamp apura caso
Unicamp apura caso - Foto: Thomaz Marostegan/Unicamp

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) informou, nesta terça-feira (24), que abriu uma sindicância para apurar o furto de material biológico armazenado no Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada do Instituto de Biologia . Informações apuradas com exclusividade pela equipe de jornalismo da Band indicam que o material furtado inclui amostras classificadas em Nível de Biossegurança 3 (NB-3), que refere-se a uma classificação de laboratórios destinados ao manejo de microrganismos que apresentam um alto potencial de transmissão e gravidade

A Polícia Federal (PF) prendeu em flagrante, na tarde desta segunda-feira (23), uma pesquisadora da universidade, suspeita de furtar o material biológico. Ela foi liberada no dia seguinte na audiência de custódia. De acordo com a Polícia Federal, os envolvidos podem responder pelos crimes de furto qualificado ; f raude processual ; e transporte irregular de organismo geneticamente modificado .

A prisão ocorreu após a própria universidade comunicar às autoridades o desaparecimento do material e interditar os laboratórios. Durante o cumprimento de dois mandados de busca e apreensão expedidos pela 9ª Vara Federal de Campinas, os itens subtraídos foram localizados e encaminhados ao Ministério da Agricultura e Pecuária para análise. A operação contou com o apoio técnico da Agência Nacional de Vigilância Sanitária ( Anvisa ).

Exclusivo: material de nível 3 de risco teria sido levado para outro laboratório irregularmente

Informações apuradas com exclusividade pelo jornalista Kevin Velloso , da Band Campinas, com fontes próximas ao caso, mas que decidiram não se identificar, indicam que o material furtado inclui amostras classificadas em nível de biossegurança NB-3, além de vírus, anticorpos e reagentes utilizados em pesquisas laboratoriais.

Segundo a fonte, trata-se de material com alto potencial de risco biológico, manipulado em ambientes com protocolos rigorosos de controle, especialmente por envolver vírus aviários, agentes que afetam principalmente aves, mas que, em casos raros, podem infectar humanos e causar quadros graves.

Ainda de acordo com a apuração, a pesquisadora investigada teria atuado anteriormente no Instituto de Biologia e, posteriormente, passado a integrar a Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), para onde o material teria sido levado sem a formalização dos procedimentos exigidos.

A denúncia foi feita a partir do próprio ambiente acadêmico, seguindo protocolos de segurança que exigem a comunicação imediata às autoridades em casos de irregularidades envolvendo material biológico sensível.

Não há confirmação oficial sobre a motivação da ação, que segue sob investigação.

Outro lado

A defesa da suspeita, que não terá o nome divulgado pelo portal Band Multi, informou, em nota, que não se pronunciará sobre os fatos devido ao Sigilo Nível 2 decretado pela 9ª Vara Federal de Campinas. Os advogados ressaltaram que as manifestações serão limitadas ao âmbito judicial em respeito ao devido processo legal.

Posicionamento da Unicamp

Em nota oficial, a Reitoria da Unicamp classificou o episódio como grave devido à natureza do patrimônio científico envolvido. A instituição informou que instaurou uma sindicância e que está colaborando integralmente com as investigações da PF para que os responsáveis sejam punidos conforme a lei.

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