
Após 13 anos em um relacionamento abusivo, Daniela decidiu focar em suas filhas e em si. Acontece que, dois anos depois, ela conheceu o Israel e eles se envolveram.
Com o tempo, ela descobriu que ele tinha uma vida dupla, com outra esposa e família. Daniela ficou atordoada ao vê-lo com a atual, mas as tragédias estavam apenas começando.
Ela estava grávida. De gêmeos. Ao saber das crianças, Israel a desprezou e ela teve um aborto espontâneo. Abandonada, e ainda com o coração ferido, ela tenta seguir em frente. Leia mais uma história do "Quem Ama Não Esquece" :
O recomeço depois de algo imperdoável
Algumas verdades só se revelam no meio da dor. A minha apareceu no luto... e até hoje carrego essa ferida aberta. Estive em um relacionamento abusivo por 13 anos, que me deixou muitas marcas físicas e emocionais.
Quando finalmente me libertei, decidi ficar sozinha para cuidar de mim e das minhas filhas. E, mesmo depois de dois anos sozinha, começar outro relacionamento não estava nos meus planos. Isso até o Israel aparecer na minha vida.
Todos os dias eu chamava um carro de aplicativo para ir trabalhar e levar minhas filhas à escola. Era uma correria daquelas, mas foi em uma dessas viagens que a gente se conheceu:
– Bom dia. Daniela?– Sim, isso. Bom dia. Venham, venham, meninas.– Que lindas as suas filhas.– Gêmeas! Me deixam doida, mas são a minha força.– Imagino. Filhos são mesmo. Olha, não sei se você chama aplicativo todos os dias, mas tome aqui o meu cartão. Se precisar... Faço viagens por fora também.
E assim eu fiz. Era mais fácil já ter uma pessoa fixa esperando e passei a chamar o Israel todos os dias. Isso fez com que a gente se aproximasse, se conhecesse melhor, e o que era só uma ida ao trabalho se tornou uma amizade.
O Israel me contou que ainda morava com a esposa, mas que já dormia no sofá havia mais de um ano, porque eles não tinham mais um relacionamento de homem e mulher. Contou que tinha uma filha de 25 anos, que ainda morava com eles, mas que ele mal ficava em casa.
Era um homem muito gentil, agradável, e eu também me senti à vontade para dividir com ele tudo o que havia passado. Ele ficou muito revoltado com toda a situação que enfrentei e, por ser tão compreensivo, me fez criar uma confiança nele.
Depois de um tempo, começamos a nos envolver, e a nossa primeira vez foi incrível. Fazia tanto tempo que eu não ficava com um homem! Desde que me separei, só tinha focado minhas energias em cuidar de mim e das meninas. Mas, com o Israel, me senti pronta. Pronta para me entregar.
E foi maravilhoso... Pense em um homem atencioso, cuidadoso... Totalmente diferente do que eu estava acostumada. Aos poucos, ele passou a frequentar minha casa e sempre se mostrava muito disposto e disponível para me ajudar no que eu precisasse.
Cozinhava comigo, brincava com as meninas, dava carinho... Eu me sentia realmente cuidada, e isso, confesso, era o que eu mais gostava nele.
Levamos o relacionamento assim. A gente se via bastante, mas ainda não tínhamos um relacionamento sério. Ambos tínhamos medo, até porque ele ainda morava com a esposa. Por isso, preferíamos não sair muito pelo bairro onde morávamos.
Apesar de eles não viverem mais como marido e mulher, era uma situação delicada. Durante a semana, o Israel era 100% presente na minha vida, mas, quando chegava o final de semana, muitas vezes ele sumia.
Eu acreditava que era por causa do trabalho, já que ele tinha mais viagens para fazer aos sábados e domingos. Mas não demorou muito até eu descobrir a verdade.
Teve um sábado em que chovia muito, e fiquei preocupada porque ele tinha uma corrida em que precisaria pegar estrada. Mandei mensagem pedindo para ele se cuidar e ele respondeu apenas um "ok", de forma bem seca.
Naquele dia, eu tinha um churrasco na casa da minha vizinha e, no caminho, vi o carro dele estacionado em frente a uma casa. Eu sabia que ele morava perto, mas não exatamente onde. Naquele dia, entendi...
Entendi que, em vez de trabalhar aos finais de semana, como dizia, na verdade, ele ficava em casa com a esposa. Fiquei muito chateada, mas preferi fingir que não sabia de nada e continuei levando.
Porém, foi justamente ali que as coisas começaram a mudar entre nós. Quando tive uma crise de ansiedade e contei para ele que sofria com isso, ele não deu a mínima e ainda disse que era frescura.
Isso, claro, fez com que minhas crises aumentassem. Mas o mais difícil foi ver minhas filhas – que não tinham nada a ver com a situação – sendo afetadas também.
O Israel começou a reclamar do barulho que elas faziam e passou a exigir que brincassem sem fazer bagunça quando ele estava por perto. Imagina... elas tinham só 5 anos!
Eu não entendia o que tinha acontecido, mas o que sei é que, dia após dia, ele foi mudando. Foi se afastando, me tratando com desdém, com ignorância... até com raiva.
Eu já não aguentava mais. Queria um relacionamento tranquilo, alguém que estivesse comigo todos os dias, não alguém com uma vida dupla, confusa, que eu nem sabia ao certo como era. Eu precisava de um homem que realmente estivesse ali para construir uma família.
– Terminar comigo? Você só pode estar de brincadeira.– Israel, eu sou uma mulher de princípios. Achei que sua vida estivesse resolvida, mas não está, e eu não nasci para ser amante de ninguém.– Como assim "amante"? Já te falei mil vezes que não sou mais casado.– Então vamos ficar juntos de uma vez. O que te impede?– Não. Isso eu não posso. Não dá.– E eu não posso ficar com alguém que não está aqui para mim, que some nos finais de semana...– Sério mesmo que isso é tão importante pra você? Estou aqui o tempo todo durante a semana!
Foram horas e horas de discussão, e nós terminamos. Eu não podia continuar daquele jeito. O Israel até tinha um lado cuidadoso, mas não era como eu precisava e merecia. Eu queria alguém que realmente me amasse. Toda mulher quer um pouco de estabilidade, segurança física e, principalmente, emocional… e não, ele não era esse cara.
Alguns dias se passaram. Nós, antes de terminar, havíamos marcado uma viagem. Deixei isso de lado, mas no dia da viagem ele simplesmente apareceu na minha porta com as malas. Eu, boba, olhei para ele ali e... esqueci de tudo.
Arrumei minhas coisas e fui. Foram três dias muito intensos. Fomos para um parque aquático e nos divertimos demais. Nem parecia que, dias antes, havíamos colocado um ponto final no namoro.
Aquele Israel da viagem era exatamente o homem que eu sonhava e queria para mim, mas bastou voltar à realidade para ele voltar a sumir.
Eu não sabia mais quem era o verdadeiro Israel: o da viagem ou o que me evitava? Essa dúvida também não durou muito, porque logo... logo eu vi o que sempre esteve bem ali na minha frente.
Alguns dias depois comecei a me sentir muito mal e fui ao médico. Ele me sugeriu fazer um teste de gravidez e, quando saiu o resultado, deu positivo.
Fiquei desesperada. Na mesma hora, mandei a notícia para o Israel. Eu já tinha duas meninas que dependiam de mim... como seria mãe de novo? E ainda de um homem que tinha esposa? Logo marquei um ultrassom e, no dia do exame, o Israel foi comigo.
Foi aí que descobrimos que... eu não estava esperando apenas um bebê. Estava esperando dois. De novo, eu havia engravidado de gêmeos.
– Eu não quero nem saber, Daniela. Você vai tirar esses filhos.– O quê? Enlouqueceu?– Você tem que abortar. Você não tem cabeça para ter duas crianças, para ser mãe de novo. Vive tendo crise aí, tomando remédio...– Eu não estou preparada ou é você que não é homem o suficiente?– Daniela, por favor. Não estrague a minha vida assim. Não me tire da minha casa.
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