
A expectativa do preço do boi no Brasil subir no segundo semestre irá depender muito mais da demanda do que da oferta, que tende a ser maior frente ao mesmo período do ano passado, de acordo o Head de Agro da XP, Leonardo Alencar, em palestra na Feicorte – Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne , em Presidente Prudente (SP).
Segundo Alencar, em meio a expectativa de uma safrinha cheia de milho, de preços atrativos do farelo de soja e de confinamentos bovinos bem abastecidos, a oferta de carne tende a ser positiva . “Assim, uma chance de elevação no preço da arroba dependerá de um maior consumo de boi no Brasil bem como de outras proteínas, do fator cambial e da demanda internacional”, comenta.
Alencar disse também que o Brasil está ficando cada vez mais competitivo para o mercado internacional frente aos Estados Unidos e aos demais países da América do Sul, por conta do menor preço. Ainda segundo Alencar, a XP projeta uma expectativa de aumento de 5,5% na produção de carne bovina no Brasil neste ano, de 7,1% nas exportações e de 4,5% na oferta interna.
Reunião de raças
Um evento inédito realizado na Feicorte 2025, a Beef Hour das Raças, promete reunir 14 raças de gado produzidas no Brasil em um mesmo local, com um churrasco inédito. A ação é promovida em parceria com a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) e diversos criadores de raças zebuínas e europeias, foram servidas porções das carnes das raças Nelore, Tabapuã, Brahman, Sindi, Gir, Guzerá, Brangus, Senepol, Angus, Bonsmara, Montana, Santa Gertrudis, Wagyu e Caracu.
Para a CEO da Verum Eventos, organizadora da Feicorte , Carla Tuccilio, reunir as raças por meio das associações e seus produtores, destaca a força da pecuária brasileira quando caminha unida. “A Feicorte é esse espaço de convergência, em que tradição, técnica e colaboração se encontram para fortalecer a carne nacional”, afirma Carla.
Palestras internacionais
Uma das maiores autoridades globais em ultrassonografia de carcaça e melhoramento genético de bovinos de corte, Tommy Perkins, participa da Feicorte 2025. Conhecido por sua atuação estratégica na modernização dos sistemas produtivos de carne bovina em todo o mundo, o especialista ainda parabenizou o Brasil por ter “abraçado” a tecnologia na atividade pecuária. “Vocês conseguiram fazer algo extraordinário: usar a ultrassonografia de carcaça para avançar a superioridade genética do gado com muita qualidade e velocidade, de uma forma única no mundo”, afirmou.
Outra participação especial na programação do Fórum Feicorte neste ano é o pecuarista canadense Dennis Serhienko, um dos principais produtores de gado Charolês do Canadá. Especialista em avaliação de touros e jurado renomado de grandes feiras internacionais, Serhuenko também é o diretor do programa de Corte da Semex Alliance, liderando aquisições e desenvolvimento de produtos de corte.
Sistema integrado
Outro grande destaque na Feicorte 2025 foi o debate sobre a ILPF - Integração Lavoura Pecuária Floresta. O tema, abordado pelo presidente-executivo da Rede ILPF, Francisco Matturo, fez parte do Fórum “O Boi Brasileiro: Produtivo por Natureza”, na Arena Feicorte.
Iniciado no Brasil em 2006, o programa surgiu como um projeto experimental da Embrapa e hoje é um grande aliado do pecuarista brasileiro. De acordo com Matturo, mais de 17 milhões de hectares estão dentro das diretrizes do projeto. “Esse modelo produtivo mostra na prática que é possível produzir mais com menos, integrando diferentes atividades no mesmo hectare”, enfatizou o profissional, ao explicar que isso é possível graças à possibilidade de cultivar leguminosas ou gramíneas na mesma área, preservando o meio ambiente e sequestrando carbono no solo.
Desde sua implementação no país, o sistema já gerou diversos resultados. Em áreas que antes concentravam uma unidade animal por hectare, agora chegam a agrupar até oito ou dez, enquanto a renda por hectare salta de cerca de R$ 1.000 para até R$ 12 mil por ano. “Além do impacto econômico direto, a tecnologia contribui para a recuperação de solos arenosos, a proteção de nascentes e matas ciliares e a mitigação das emissões de carbono, transformando propriedades em áreas de produção carbono neutro, conceito cada vez mais valorizado no mercado internacional”, realçou Matturo.
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