Agro

Verão e calor extremo aumentam risco de doenças em animais

Altas temperaturas, La Niña e maior proliferação de vírus e bactérias exigem protocolos rigorosos de biossegurança

Da redação

DA REDAÇÃO

20/12/2025 • 22:59 • Atualizado em 20/12/2025 • 22:59

Calor intenso traz riscos à animais
Calor intenso traz riscos à animais - Foto: Divulgação

O agronegócio brasileiro prepara-se para uma temporada de verão crítica , marcada pela previsão de calor extremo e pela formação do fenômeno La Niña . O cenário climático, que indica a repetição ou agravamento das temperaturas acima da média registradas em 2024, acende um alerta vermelho para a sanidade animal em todo o país. Produtores e especialistas voltam as atenções para o aumento do risco de doenças nos rebanhos, fator que pode impactar diretamente a produtividade e as exportações do setor.

A combinação de calor intenso e maior variabilidade climática cria um ambiente propício para a proliferação de vírus, bactérias e outros vetores de doenças. Além do estresse térmico — condição em que o animal não consegue regular sua temperatura corporal, diminuindo a imunidade —, o clima favorece o aumento da carga microbiana nas granjas e fazendas.

Esse quadro impõe um desafio imediato ao Brasil, que tem na excelência sanitária o pilar de sua competitividade global. Segundo balanço da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), as exportações do setor alcançaram US$ 155 bilhões até novembro de 2025. Manter esse ritmo depende, fundamentalmente, de blindar a produção contra surtos sanitários.

Tecnologia como barreira sanitária

Especialistas apontam que os métodos tradicionais de limpeza já não são suficientes para enfrentar o atual cenário climático. A higienização manual, sujeita a falhas humanas e variações de processo, dá lugar a sistemas automatizados capazes de garantir a biossegurança exigida pelos grandes compradores internacionais. "Eventos climáticos extremos favorecem o avanço de patógenos. As altas temperaturas aceleram a multiplicação microbiana e pressionam todo o sistema produtivo", analisa Vinicius Dias, CEO do Grupo Setta.

Para o executivo, a tecnologia deixou de ser opcional. "Depender apenas de higienização manual já não basta. A tecnologia se tornou prioridade para garantir padronização, rastreabilidade e resposta ágil a ameaças sanitárias", afirma Dias.

O mercado oferece hoje soluções que monitoram desde a desinfecção de veículos e equipamentos até o fluxo de pessoas e o controle de temperatura nas instalações. A automação permite gerar dados auditáveis de cada etapa, facilitando a comprovação de conformidade para mercados rigorosos como União Europeia, China e Oriente Médio.

Inovação e sustentabilidade

Entre as tecnologias que ganham espaço na estratégia de defesa sanitária está o TADD System (Thermo-assisted Drying and Decontamination). O sistema utiliza ar aquecido para realizar a descontaminação de ambientes e equipamentos.

A técnica elimina a necessidade de agentes químicos pesados e completa o processo de secagem e descontaminação em 48 minutos. Além da eficiência sanitária, o método reduz custos operacionais e diminui o impacto ambiental, alinhando-se às exigências de sustentabilidade do mercado global.

A adoção dessas ferramentas responde a uma lógica de mercado: a prevenção é mais barata que o combate a doenças. "O Brasil só manterá sua posição no comércio global se conseguir comprovar, com dados, que adota práticas preventivas e consistentes", destaca Dias.

Competitividade e futuro do setor

A pressão por padrões sanitários mais rígidos coloca a proteção animal no centro das estratégias de negócio. Para a pecuária brasileira, o desafio ultrapassa a estação mais quente do ano. O objetivo é estruturar sistemas resilientes, capazes de manter a segurança da produção independentemente das oscilações do clima.

"O controle sanitário deixou de ser um custo operacional e se tornou uma garantia de continuidade do negócio. Com verões mais quentes e instabilidade climática crescente, a prevenção precisa ser contínua, integrada e cada vez mais tecnológica", conclui o especialista.

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