Agro

Como o tarifaço pode afetar a indústria nacional de calçados

Exportadores mineiros temem alto índice de desemprego no setor

Por Redação

REDAÇÃO

08/08/2025 • 14:15 • Atualizado em 08/08/2025 • 14:15

A indústria de calçados e bolsas de Minas Gerais , setor que (indiretamente) faz parte da cadeia da pecuária, já que absorve a produção de couro, enfrenta uma crise após o anúncio do tarifaço de 50% sobre os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, com impactos significativos sobre o emprego no setor. A medida afeta diretamente o setor de calçados, especialmente em regiões como Nova Serrana, que é um importante polo produtor localizado a cerca de 130 km da capital mineira.

Em junho, o Brasil exportou 1 milhão de pares de calçados para os EUA , movimentando cerca de US$ 21 milhões, volume quase 40% maior do que no mesmo mês do ano passado. No entanto, com a nova tarifa, fábricas em Belo Horizonte já tiveram contratos suspensos e enfrentam o risco de cancelamentos definitivos.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, expressou preocupação com a situação e destacou a urgência de medidas de apoio do governo . "Precisamos delas urgentes, porque mesmo que algumas ainda estejam em processo de ou de isenção ou de redução de 10%, nós temos uma grande maioria que está tendo necessidades", afirmou Alban. Ele ressaltou a importância de decisões informadas para evitar erros que poderiam agravar a situação das empresas afetadas.

A crise não afeta apenas as grandes empresas exportadoras, mas também micro e pequenos fornecedores de produtos e serviços que dependem dessas exportações. O encadeamento produtivo do setor necessita de atenção especial, principalmente para as pequenas e médias indústrias, que são cruciais para a empregabilidade no país.

Com o mercado interno incapaz de absorver a produção destinada aos Estados Unidos, o aumento da concorrência interna é uma preocupação adicional. A consequência pode ser um significativo aumento no número de desempregados, uma vez que as linhas de produção não conseguirão se manter sem os pedidos externos.

As empresas e os trabalhadores do setor aguardam, portanto, ações efetivas do governo para mitigar os efeitos do tarifácio e ajudar a reorganizar o setor frente aos novos desafios impostos pela política comercial norte-americana.

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