
O Rio Grande do Sul iniciou a retomada consolidada de sua produção de mel dois anos após as enchentes históricas que afetaram drasticamente a cadeia apícola local. O setor produtivo demonstra sinais de recuperação gradual com o restabelecimento das atividades no campo e a reorganização das propriedades rurais que foram devastadas pelas cheias. A reestruturação reaquece a economia agrícola das regiões atingidas, permitindo o retorno de trabalhadores ao mercado de derivados do mel.
O impacto socioeconômico sobre os apicultores locais evidencia a gravidade da crise climática enfrentada pelo estado nos últimos anos. O relato do produtor Sadir, que conduz seus apiários no município de Eldorado do Sul, exemplifica a dimensão das perdas registradas na região: até o ano de 2024, ele gerenciava mais de 80 caixas de abelhas em plena atividade operacional.
Com as inundações, Sadir perdeu a totalidade de suas colmeias, restando-lhe atualmente apenas 15 caixas em processo de produção. A realidade do produtor reflete o cenário de centenas de famílias que dependem diretamente da apicultura para o sustento financeiro.
Queda no ranking nacional e o pior momento da atividade
Historicamente reconhecido pela excelência e volume de sua produção, o estado gaúcho liderava o ranking nacional de produção de mel até o ano de 2024. Devido aos danos estruturais provocados pelas cheias nas áreas de pastagem apícola, o Rio Grande do Sul perdeu o posto de maior produtor do país para o estado do Paraná, sendo superado também pelo Piauí, que ocupa a segunda posição nacional.
O momento mais crítico para a apicultura gaúcha ocorre durante a safra correspondente ao ano de 2025. Naquele período, o volume totalizado pelo estado atinge pouco mais de 3 mil toneladas de mel, índice que equivale a apenas um terço da média histórica registrada tradicionalmente pelo setor. A retração afetou o abastecimento do mercado interno e reduziu o volume do produto disponível para exportação, gerando prejuízos na balança comercial agrícola.
Projeção da Emater e fatores de recuperação
Para o ano corrente de 2026, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) projeta uma forte reação do mercado, com a estimativa de colher 11 mil toneladas de mel até o encerramento do ano. Caso os números se confirmem nos relatórios oficiais das próximas semanas, este será o melhor resultado volumétrico alcançado pela apicultura do Rio Grande do Sul nos últimos cinco anos.
O crescimento expressivo fundamenta-se em dois pilares centrais: as ações integradas de reconstrução e as condições meteorológicas vigentes. No plano estrutural, o avanço decorre da distribuição subsidiada de novas colmeias e da instalação de apiários estratégicos nas áreas afetadas, permitindo o repovoamento biológico das propriedades.
No fator ambiental, o clima favorável na região Sul garante uma floração de primavera abundante, resultando em uma maior disponibilidade de néctar para o manejo das abelhas.
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