
O inverno de 2025 deve ter, em geral, temperaturas médias mais altas que nos últimos anos, mas será marcado por várias ondas de frio intenso, como a que ocorre nesta semana. Os especialistas em meteorologia explicam que isso está acontecendo porque, neste ano, a estação não está sofrendo a influência de fenômenos como o El Niño ou La Niña. Nesta quarta-feira (25) a cidade de São Paulo e até cidades do interior registraram as temperaturas mais baixas que até algumas cidades da Sibéria.
Em muitos pontos, houve geada na madrugada e as agências emitiram alertas para a possibilidade da geada negra, no Paraná, e neve, na serra catarinense e gaúcha. Mas, afinal, qual é a diferença entre geada branca, geada negra, neve e chuva congelada?
As temperaturas muito baixas podem causar estes fenômenos, causando prejuízos à produção agrícola e risco de morte aos animais de criação, como os bovinos, por exemplo. Assim como as plantas, os animais podem congelar.
No Brasil, o fenômeno mais comum de ocorrer é a geada branca . Ela ocorre quando o vapor d'água presente no ar, próximo ao solo, se torna sólido e forma uma fina camada de cristais de gelo sobre a superfície e plantas. As geadas deixam a paisagem branca e são favorecidas pela queda brusca na temperatura em períodos de alta umidade, especialmente em noites frias com céu limpo, quando há maior perda de calor da superfície. A geada tradicional prejudica a produção agrícola queimando as folhas das plantas e cascas de alimentos.
A geada negra segue o mesmo princípio , mas ela ocorre quando há muito vento e baixa umidade, a temperatura muito baixa congela a seiva da planta, matando a vegetação completamente. As plantas, porém, passam a apresentar a cor escura e aspecto de queimaduras. Nesta semana, havia a previsão de ocorrência de geada negra no Paraná.
A neve é formada por cristais de gelo que se desenvolvem e se juntam dentro de uma nuvem. Esses cristais caem e chegam ao solo no mesmo estado. Para nevar, a temperatura das nuvens deve estar abaixo de zero. Dependendo da quantidade, os cristais se acumulam formando uma camada espessa de gelo, que derrete ao longo do dia, dependendo da temperatura.
Outro fenômeno que pode acontecer nestes dias mais frios é a chuva congelada . Esse fenômeno é parecido com a formação da neve, mas os cristais de gelo formados nas nuvens, quando caem, passam por camadas de ar mais quentes, com temperatura acima de zero, e derretem completamente, voltando ao estado líquido. No entanto, as gotas de água podem congelar novamente quando chegam à superfície, congelando mais uma vez.
Cuidados com bovinos
As baixas temperaturas podem causar hipotermina em bovinos e animais que pastejam sem proteção. A hipotermia é uma condição em que a temperatura corporal dos animais desce para menos de 35°C, comprometendo suas funções vitais.
No inverno do ano passado, cerca de 3 mil bovinos morreram congelados em Mato Grosso do Sul. A Agência Estadual de Vigilância Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), vinculada à Semadesc, divulgou orientações específicas para mitigar os efeitos do frio nos rebanhos. As principais recomendações envolvem a oferta adequada de alimentação, principalmente durante os períodos secos e nas frentes frias, garantindo energia suficiente para a manutenção da temperatura corporal dos animais.
Além disso, a construção de abrigos ou a utilização de áreas naturais protegidas contra o vento e o frio são medidas essenciais para minimizar a exposição dos bovinos às baixas temperaturas. O acompanhamento frequente de um médico-veterinário também é fundamental para identificar precocemente sinais de debilidade ou doenças associadas ao frio.
Manter o calendário oficial de vacinação e adotar boas práticas de manejo sanitário contribuem diretamente para fortalecer o sistema imunológico do rebanho. A Iagro também ressalta a importância da notificação imediata de qualquer ocorrência anormal de mortalidade entre os animais. Essas comunicações devem ser feitas por meio dos canais oficiais indicados nas Notas Técnicas do órgão.
A participação ativa dos pecuaristas é vital para proteger a saúde dos animais, manter a segurança alimentar e preservar a imagem do setor agropecuário do estado tanto no cenário interno quanto internacional.
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